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19 janeiro 2005

A Divindade de Cristo

Por Don Closson, traduzido por Allan Ribeiro

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Introdução

Recentemente eu recebi uma carta de uma pessoa que argumenta que há somente um Deus, e que Ele é chamado por muitos nomes e adorado por muitas pessoas diferentes, que têm muitas crenças diferentes. Este tipo de pensamento sobre Deus é comum hoje em dia, mas sua popularidade não reduz os problemas intelectuais que podem acompanhá-lo. Por exemplo, esta noção de deus inclui o deus dos astecas, que exigia sacrifícios de crianças? E os deuses guerreiros da mitologia nórdica: Odin, Thor e Loki? Como a crença mórmon de que podemos todos nos tornar Deuses se nos juntarmos à sua organização e nos conformarmos ao seu sistema de boas obras, se encaixa neste quadro teológico? Até mesmo John Hick, um influente pluralista religioso, crê que somente algumas das maiores religiões do mundo qualificam-se como tendo uma visão válida de Deus. O islamismo, o cristianismo, o judaísmo, o budismo e o hinduísmo são válidos, mas o satanismo e a religião do tipo de Waco, Texas, não são. A crença que todas os sistemas religiosos adoram um [mesmo] Deus levanta sérias dificuldades quando vemos como grupos diferentes retratam Deus e buscam descrever [o modo] como nos relacionamos com Ele.

O assunto torna-se ainda mais grave quando uma tradição religiosa afirma que Deus tornou-se carne, vindo a ser um homem e andou sobre a terra. A tradição cristã tem afirmado por quase dois mil anos que Deus fez exatamente isso. O evangelho de João proclama que "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai." [Jo 1.14, JFA]. João está, claro, falando de Jesus, e esta afirmação apresenta um desafio interessante para um pluralista religioso. Se o que João e o resto dos escritores do Novo Testamento afirmam sobre Jesus for verdade, então nós literalmente temos Deus em carne andando e ensinando um pequeno grupo de discípulos. Se Jesus foi Deus encarnado enquanto Ele andou na terra, nós temos um relato de primeira-mão de que Deus é como [descrito] no relato bíblico. Afirmações verdadeiras sobre Deus que contrariem estas dadas na Bíblia devem então ser descartadas. Em outras palavras, se Jesus era Deus em carne durante o Seu tempo na terra, outros textos ou tradições religiosas estão erradas quando elas ensinam sobre Deus ou sobre conhecer Deus de maneiras que contradizem o relato bíblico.

Neste ensaio iremos considerar as evidências a favor da divindade de Cristo. A verdade das afirmações do cristianismo depende deste ensino central, e uma vez aceita, esta alegação reduz enormemente a viabilidade do pluralismo religioso, de tratar todas as crenças religiosas como igualmente verdadeiras. Porque se Deus verdadeiramente fez-se carne e falou diretamente a Seus discípulos sobre coisas como pecado, redenção, julgamento final, falsas religiões e adoração verdadeira, então nós temos o Deus do universo expressando intolerância acerca de afirmações de outras religiões – especificamente afirmações que refutam a realidade do pecado e removem a necessidade de redenção ou a realidade de um julgamento final. Alguns podem não concordar com a intolerância religiosa de Deus, mas então, novamente, discordar de Deus é o que a Bíblia chama de pecado.

Ao invés de começar com uma resposta aos ataques à divindade de Cristo pelos críticos modernos, tais como o Seminário de Jesus ou os gnósticos da Nova Era, nossa discussão irá começar com a própria autoconsciência de Jesus, em outras palavras, o que Jesus diz e pensa sobre si mesmo. A partir daí iremos considerar os ensinamentos dos Apóstolos e da igreja primitiva. Meu objetivo é estabelecer que, desde o seu início, o cristianismo tem ensinado e crido que Jesus era Deus em carne, e que esta crença foi o resultado das próprias palavras que Jesus falou a respeito de sua própria essência.

A Auto-Percepção de Cristo

À medida em que começamos a examinar as evidências que apóiam a alegação de que Jesus é Deus em carne, ou Deus encarnado, um bom ponto para começarmos é o conceito do próprio Jesus sobre Si mesmo. Deve-se admitir primeiro que Jesus jamais define o Seu lugar na Trindade em linguagem teológica. Contudo, Ele fez muitas declarações sobre Si mesmo que não seriam somente inapropriadas, mas blasfêmias se Ele não fosse Deus em carne. É importante lembrar que a vida de Jesus não foi usada fazendo teologia ou pensando e escrevendo sobre assuntos teológicos. Pelo contrário, Sua vida foi focada em relacionamentos, primeiro com os Seus discípulos e depois com o povo judeu. O propósito destes relacionamentos era o de engendrar nessas pessoas uma crença em Jesus como seu salvador ou Messias, como sua única fonte de salvação. Jesus disse aos fariseus, os líderes religiosos judeus de Seus dias, que eles morreriam em seus pecados se não cressem que Ele era aquele que afirmava ser (João 8.24). E a um fariseu, Nicodemos, Jesus disse, "Pois Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16).

Millard Erickson, em seu livro, Teologia Cristã, faz um ótimo trabalho de levantamento de evidências de que Jesus considerava a Si mesmo igual em essência com Deus. (1) A não ser que Ele fosse Deus, teria sido inapropriado para Jesus dizer, como Ele disse em Mateus 13.41, que tanto os anjos quanto o Reino são Seus. Em outra parte, os anjos são chamados de "os anjos de Deus" (Lucas 12.8,9; 15.10) e a frase Reino de Deus é encontrada em toda parte nas Escrituras. Mas Jesus diz, "Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles ajuntarão do seu reino todos os que servem de tropeço, e os que praticam a iniqüidade" (Mt 13.41).

Quando o paralítico em Marcos 2.5 foi baixado através do teto por seus amigos, a primeira resposta de Jesus foi dizer que os pecados do homem estavam perdoados. Os escribas sabiam das implicações desta declaração, pois somente Deus poderia perdoar pecados. O comentário deles mostra claramente que eles haviam entendido que Jesus estava exercendo um privilégio divino. Jesus teve uma oportunidade maravilhosa para dirimir qualquer dúvida aqui ao negar que Ele tinha a autoridade para fazer o que somente Deus pode fazer. Ao invés disso, Sua resposta somente reforça sua alegação à divindade. Jesus diz "Por que arrazoais desse modo em vossos corações? Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Perdoados são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito, e anda?". Para confirmar Sua autoridade para perdoar pecados, Jesus permitiu ao homem que pegasse sua padiola e ir para casa.

Duas outras áreas em que Jesus alegou ter autoridade sobre foi o julgamento de pecados e a observância do Sabá. Ambos foram considerados prerrogativas de Deus pelos judeus. Em João 5.22-23, Jesus diz, "Porque o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o julgamento, para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai.". Jesus também declarou ter autoridade para mudar o relacionamento do homem com o Sabá. Honrar o Sabá é um dos Dez Mandamentos, e os judeus haviam recebido instruções estritas sobre como observá-lo. No livro de Números, Deus diz a Moisés para apedrejar até a morte um homem que pegou lã no Sabá. Contudo, em Mateus 12.8, Jesus diz que "o Filho do Homem é Senhor do Sabá".

Estes exemplos mostram que Jesus fez alegações e milagres que revelam uma autoconsciência de Sua própria divindade. Em nossa próxima seção, iremos continuar por esta trilha.

A Auto-Percepção de Cristo, Parte 2

Neste ponto de nossa discussão, iremos oferecer ainda mais exemplos do auto-conhecimento de Jesus acerca de Sua igualdade essencial com Deus.

Um sem-número de comentários que Jesus fez a respeito de Seu relacionamento com o Pai seriam incomuns se Jesus não considerasse a Si mesmo igual em essência com Deus. Em João 10.30 Ele diz que quem vê a Ele, vê ao Pai. Depois, em João 14.7-9 Ele acrescenta que conhecer a Ele e conhecer o Pai. Jesus também declarou ter existido anteriormente à Sua encarnação na terra. Em João 8.58 Ele diz, "Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou". Alguns crêem que as palavras usadas aqui por Jesus constituem a mais forte declaração de Sua divindade. De acordo com o [comentário bíblico] Expositors Bible Commentary, esta passagem pode ser mais literalmente traduzida por "Antes de Abraão ser, eu continuamente existia". Os próprios judeus reconheceram a frase "Eu sou" como referindo-se a Deus, porque Deus a usa (1) para descrever a Si mesmo quando Ele comissionou Moisés a exigir a libertação de Seu povo por Faraó (Êxodo 3.14),e (2) identificar-Se nas proclamações teístas na segunda metade de Isaías. Jesus também declarou que a Sua obra é a mesma que a do Pai. Ele proclamou que "Se alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada." (Jo 14.23). Os judeus, ouvindo Jesus, entenderam a natureza destas afirmações. Após o Seu comentário sobre ter existido antes de Abraão, eles imediatamente pegaram pedras para matá-lo por blasfêmia, porque entendiam que Ele havia se declarado como Deus.

No julgamento de Jesus, Ele faz uma clara declaração acerca de quem Ele é. Os judeus argumentaram diante de Pilatos em João 19.7 "Nós temos uma lei, e segundo esta lei ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus". Mateus 26 lembra que, no julgamento de Jesus, o sumo-sacerdote diz a Jesus, "Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho do Deus". Jesus replicou, "É como disseste; contudo vos digo que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu.". Esta teria sido uma excelente oportunidade para Jesus se salvar esclarecendo qualquer falsa concepção que pudessem ter a respeito de Seu relacionamento com o Pai. Ao invés disso, Ele coloca-se em uma posição de igualdade de poder e autoridade únicos. Novamente os judeus entendem o que Jesus está dizendo. O sumo-sacerdote proclama, "Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que agora acabais de ouvir a sua blasfêmia.". Ele pede ao conselho que vote, e eles exigem a morte Dele (Mateus 26.65-66).

Outra indicação de como Jesus percebia a Si mesmo está no Seu uso das Escrituras do Velho Testamento e a maneira que Ele fez Suas próprias proclamações de verdade. Em um número de casos, Jesus iniciou uma frase com "Ouvistes o que foi dito aos antigos... Eu, porém vos digo..." (Mt 5.21-22, 27-28). Jesus estava dando a Suas palavras a mesma autoridade das Escrituras. Mesmo os profetas, quando falavam por Deus, começavam suas declarações com "A palavra do Senhor veio até mim,", mas Jesus inicia com: "Eu vos digo".

Há outras indicações de como Jesus via a Si mesmo. Por exemplo, a alegação de Cristo de que tinha autoridade sobre a própria vida em João 5.21 e 11.25, e o Seu uso do título auto-referente "Filho de Deus" aponta para um poder e uma autoridade únicos e Sua igualdade essencial com Deus.

O Ensino dos Apóstolos

Iremos nos voltar agora para ver o que os seguidores de Jesus disseram Dele. O Evangelho de João começa com uma extraordinária declaração tanto da divindade de Cristo quanto de Sua completa humanidade. "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava com Deus no princípio.". Depois, no versículo 14, João comenta que este "Verbo" se fez carne e andou entre eles e aponta para Jesus como este "Verbo" feito carne. O que João queria dizer com esta passagem extraordinária?

A primeira frase deve ser traduzida literalmente: "Quando o princípio começou, o Verbo já estava lá.". Em outra palavras, o "Verbo" co-existia com Deus e é anterior ao tempo e à criação. A segunda frase "O Verbo estava com Deus" indica tanto igualdade quanto distinção de identidade. Uma tradução mais literal seria "face a face com Deus", implicando em personalidade e co-existência relacional. Alguns grupos, como as Testemunhas de Jeová, consideram grande coisa o fato de que a palavra "Deus", na terceira frase, "O Verbo era Deus" não tenha um artigo. Isto, argumentam eles, permite que o substantivo Deus seja traduzido como um substantivo indefinido, talvez referindo-se a "um Deus", mas não "ao" Deus Todo-poderoso. Na verdade, a falta de um artigo para o substantivo defende a divindade do "Verbo" mais claramente. A frase [em grego] theos en ho logos, descreve a natureza do "Verbo", não a natureza de Deus. Este artigo ho antes da palavra logos mostra que a sentença descreve a natureza do Verbo; Ele é da mesma natureza e essência do substantivo no predicado, ou seja, o Verbo é divino. É interessante notar que os versículos 6, 12, 13 e 18 do mesmo capítulo referem-se sem ambigüidade a Deus, o Pai e usam um substantivo anarthrous, ou seja, sem o artigo. (2) Ainda assim, estranhamente as Testemunhas de Jeová não questionam o sentido destas passagens.

O autor de Hebreus escreve claramente a respeito da divindade de Cristo. O primeiro capítulo diz que "sendo ele [o Filho] o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder,". A passagem também declara que Jesus não é um anjo nem Ele é somente um sacerdote. Em Colossenses 1.15-17, Paulo acrescenta que Ele "é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele subsistem todas as coisas;". Embora Paulo atribua claramente qualidades como as de Deus a Jesus, o uso da palavra primogênito geralmente causa confusão. A palavra pode ser uma referência à prioridade no tempo ou supremacia em graduação Já que Jesus é descrito como o Criador de todas as coisas, a noção de supremacia parece mais apropriada [Nota do Tradutor: esta é uma discussão tola. A palavra primogênito simplesmente deve ser tomada em seu sentido literal. Segundo João 1.1, Jesus era o Verbo antes de encarnar e o passou a ser o primogênito depois. Ele foi o único ser gerado por Deus. Todos os outros foram simplesmente criados. Ele não era o Filho antes de ser gerado, assim como Deus não era o Pai]. Filipenses 2.5-11 também fala de Jesus existindo na forma de Deus. O termo grego usado para forma é morphe, significando uma manifestação exterior de uma essência interior.

Uma menção também deveria ser feita ao uso, pelos escritores do Novo Testamento, da palavra Senhor para Jesus. A mesma palavra grega foi usada no Velho Testamento em Grego, a Septuaginta, como a palavra traduzida para as palavras do hebraico, Yahweh e Adonai, dois nomes especiais dados a Deus, o Pai. Os apóstolos quiseram aplicar o sentido mais elevado deste termo quando se referiam a Jesus.

A Igreja Primitiva

Até aqui temos examinado a alegação cristã da divindade de Cristo, primeiro considerando o conceito do próprio Jesus sobre Si mesmo e então os pensamentos daqueles que escreveram o Novo Testamento. Não está no escopo deste ensaio argumentar se as palavras atribuídas a Jesus pelos escritores do Novo Testamento são realmente Dele. Ao invés, disso, argumentamos que as palavras atribuídas a Jesus declaram uma igualdade essencial com Deus o Pai. A visão tradicional da fé cristã tem sido a de que Deus revelou-se a nós em três pessoas distintas – Pai, Filho e Espírito Santo – que compartilham uma essência comum.

A crença na igualdade essencial de Jesus com Deus, o Pai, foi comunicada pelos apóstolos aos patriarcas da igreja, a quem eles deram a tarefa de liderar a igreja. Mesmo esses primeiros líderes com freqüência lutavam para descrever a noção de Trindade com precisão teológica, eles sabiam que a sua fé estava em uma pessoa que era tanto homem quanto Deus.

Clemente de Roma é um bom exemplo desta fé. Escrevendo à igreja em Corinto, Clemente conclui sobre a igualdade de Jesus com Deus o Pai quando diz "Não temos um Deus, e Um Cristo, e um Espírito de Graça derramado em nós?".
Depois, em sua segunda carta, Clemente diz aos seus leitores para "pensar em Jesus como em Deus, como o juiz dos vivos e dos mortos.". Clemente também escreveu sobre Jesus como o Filho preexistente de Deus; em outras palavras, Cristo existia antes de tomar a forma humana. Inácio de Antioquia falou da natureza de Cristo em sua carta aos Efésios, "Há somente um médico, de carne e de espírito, gerado e não-gerado, Deus em homem, vida na morte. Filho de Maria e Filho de Deus." Um pouco mais tarde, Irineu de Lion (cerca de A.D. 140-202), teve que destacar a humanidade de Cristo por causa da heresia Gnóstica, que argumentava que Jesus era somente uma emanação divina. Irineu escreveu, "Há, entretanto... um Deus o Pai, e um Cristo Jesus, nosso Senhor, o qual ajuntou em si todas as coisas. Mas com respeito a tudo, também, ele é homem, a formação de Deus: e assim ele tomou o homem em si mesmo, o invisível tornando-se visível, o incompreensível ser feito compreensível, o impassível tornando-se capaz de sofrer e o Verbo sendo feito homem, assim somando em si mesmo todas as coisas.". (Contra Heresias III, 16). Durante o mesmo período, Tertuliano de Cartago (ca. A.D. 155-240) escreveu sobre a natureza de Cristo que "o que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é espírito. Carne não se torna espírito e nem espírito [se torna] carne. Evidentemente eles podem ser (ambos) em um(a pessoa). Destes Jesus é composto, de carne como homem e de espírito, como Deus" (Contra Práxeas, 14). Mais tarde ele acrescentou, "Vemos Seu duplo estado, não misturado, mas ligado em uma pessoa, Jesus, Deus e Homem" (Contra Práxeas, 27).

Por volta de 325 A.D., a igreja tinha começado a sistematizar a resposta do cristianismo a várias visões heréticas de Cristo. O Credo Niceno dizia "Cremos em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, gerado do Pai desde toda a eternidade, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai; por Ele todas as coisas foram feitas" (3).

A crença em Jesus Cristo ser da mesma essência de Deus o Pai começou com o que o próprio Jesus ensinou aos Seus apóstolos, que, por sua vez passaram adiante este crença para os primeiros patriarcas da igreja e apologistas. A divindade de Cristo é o alicerce sobre o qual a fé cristã repousa.

Notas

1. Millard J. Erickson, Christian Theology [Teologia Cristã] (Grand Rapids, Mich.: Baker Book House, 1985), pp. 684-90.

2. Merrill C. Tenney, The Expositors Bible Commentary, vol. 9 (Grand Rapids, Mich.: Zondervan Publishing House, 1981), pp. 28-29.

3. Henry Bettenson, ed., Documents of the Christian Church [Documentos da Igreja Cristã] (New York: Oxford University Press, 1967), p. 26.

©1997 Probe Ministries.

Sobre o Autor

Don Closson recebeu sua graduação em educação da Southern Illinois University,o mestrado em Administração Educacional pela Illinois State University, outro em Estudos Bíblicos pelo Dallas Theological Seminary. Ele foi professor e administrador de uma escola pública antes de se juntar a Probe Ministries como pesquisador associado no campo da educação. Ele é o editor geral de Kids, Classrooms, and Contemporary Education [Crianças, Salas de Aula e Educação Contemporânea].

O Que é Probe?
Probe Ministries é um ministério sem fins lucrativos cuja missão é auxiliar a igreja na renovação da mente dos crentes com uma cosmovisão cristã e equipar a igreja para levar o mundo a Cristo. Probe cumpre essa missão através de nossas conferências Mind Games para jovens e adultos, do nosso programa de rádio diário de 3 1/2 minutos, e de nosso amplo web site.

Um comentário:

jose ernesto rocha disse...

Querido irmão em Cristo.
Shallon.
No capítulo Ensino dos Apostólos de seu artigo, o senhor dá a entender que pelo uso da palavra "primogênito",houve um tem´po em que O UNGIDO não era Filho e nem o O Pai portava o título de Pai. No meu parco conhecimento bíblico (eu, um mero mortal necessitado da Graça de Deus), pergunto:esse raciocínio não despojaria a Divindade da sua eterna existência triúna ou, no mínimo? Não estamos tomando o termo "primogênito" no sentido muito literal, quando aplicado aos seres humanos, já que o Antigo Testamento já prenuncia a existência de um Ser misterioso chamado Filho de Deus em Provérbios 30:4? Nesse caso houve um tempo em que o Pai não era Pai e o Filho não era Filho? Com todo carinho e respeito que lhe devo não concordo com este ponto exposto pelo senhor. Quanto ao demais achei ótimo seu artigo!
Que O Cristo o abençõe e guarde,
Jose Rocha