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21 janeiro 2009

Quatro perguntas matadoras

Escrito por Sue Bohlin, traduzido por Allan Ribeiro

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O dr. Jeff Myers do Bryan College e Summit Ministries compartilha nossa paixão por ajudar outros a desenvolver uma cosmovisão bíblica. Uma das ferramentas que ele oferece para desenvolver as habilidade do pensamento crítico é como usar as perguntas certas na hora certa.

Ele sugere quatro "perguntas matadoras" para ajudar qualquer um a pensar criticamente {1}. A primeira pergunta é, o que você quer dizer com isso? Em outras palavras, defina seus termos. A segunda pergunta é, Onde você obteve essa informação? A terceira é Como você sabe que isso é verdade?, e a quarta pergunta matadora é E se isso estiver errado?

O dr. Myers conta esta história:

"Um amigo levou um grupo de alunos da terceira série para o Denver Museum of Natural History. Antes de levá-los para dentro, ele se abaixou até a altura deles e disse, "Garotos, se alguém neste museu disser qualquer coisa a vocês, eu quero que vocês perguntem a eles, como você sabe que isso é verdade?". Ensinar uma pergunta dessas a uma criança do terceiro ano é o equivalente intelectual de dar a elas um míssil terra-ar. Esses meninos entraram no museu; tudo que eles sabiam era, pergunte: como você sabe que isso é verdade?

"Um paleontólogo estava indo mostrar a eles como encotrar um fóssil. Aparentemente eles tinham intencinalmente enterrado um fóssil na amostra de solo e ela disse, 'Nós vamos encontrá-lo'. Muito esperto, não? Não, não com este grupo. Porque eles começaram a fazer perguntas como, 'Bem, como você sabe que há um fóssil aqui?' 'Bem, porque nós simplesmente sabemos que há um fóssil aqui'. 'Por que você quer encontrá-lo?' 'Bem, porque nós queremos estudá-lo'. 'Por que vocês querem estudá-lo?' 'Nós queremos descobrir a idade dele'. 'Bem, qual a idade que você acha que ele tem?' 'Cerca de 60 milhões de anos'.

'Dona, como você sabe que isso é verdade?'

"Ela tentou manter um ar de superioridade. Ela disse, 'Bem, sabe, eu sou uma cientista, eu estudo essas coisas, eu simplesmente seu isso'. Eles disseram, 'Bem, como você sabe que isso é verdade?' Quando ela dizia qualquer coisa eles simplesmente perguntavam, 'Como você sabe que isso é verdade?' O que aconteceu a seguir prova que a verdade é mais estranha do que a ficção. Ela jogou suas ferramentas ao chão, encarou aquelas crianças e disse, 'Olha, crianças, Eu não seu, tá? Eu só trabalho aqui!'" {2}.

Pergunta 1: O que você quer dizer com isso?

A primeira pergunta é, o que você quer dizer com isso? A sua intenção é que a outra pessoa defina seus termos e explique o que está dizendo. Se você não deixar claro que entende o que a outra pessoa quer dizer, vocês podem terminar tendo uma conversa usando as mesmas palavras, mas significando coisas bem diferentes.

Quando era recém-convertida, eu fui abordada na rua por algumas pessoas que recolhiam dinheiro para um ministério voltado para jovens. Eu perguntei inocentemente, "Vocês ensinam sobre Jesus?" Eles disseram, bastante hesitantes, "Simmm...." Eu dei algum dinheiro a eles e perguntei pelo material impresso deles (que foi a ordem inversa do que eu deveria ter feito). Somente depois eu aprendi que eles ensinavem mesmo sobre Jesus - que Ele era o irmão de Satanás! Eu queria ter tido as primeiras perguntas matadoras naquele tempo. Aí eu teria perguntado, "O que vocês ensinam sobre Jesus? Quem é Ele para vocês?".

Consiga a definição da outra pessoa. Digamos que você está falando com um vizinho que diz "Eu não acredito que exista um Deus". Não enter em disputa com ele "Ah, existe sim!" "Não, existe não". Segunda Timóteo 2.24-25 nos diz para não contendermos com ninguém. Simplesmente comece, ao invés, fazendo perguntas. "O que você quer dizer com 'Deus'? Qual o seu entendimento deste Deus que não existe?" Deixe que ele defina o que não existe! Você pode muito bem descobrir que o deus que ele rejeita é deus mau, frio, abusivo que se parece muito com o pai dele. Neste caso, você pode garantir a ele que você não crê nesse deus tampouco. O verdadeiro Deus é muito diferente. Se fosse eu, neste ponto, eu não buscaria o argumento pela existência de Deus, mas tentaria entender de onde a pessoa está vindo, mostrando a compaixão e a graça de Deus a alguém que suporta dolorosas cicatrizes em sua alma.

Vamos dizer que alguém diga que é a favor do direito de uma mulher escolher o aborto. Você pode perguntar, "O que você quer dizer com 'mulher'? Só mulheres adultas? E se o bebê for de uma garota, ela tem o direito de escolher? O que você quer dizer com 'direito'? De onde vem esse direito?" Você percebe que, perguntar O que você quer dizer com isso? pode expor problemas na perspectiva da outra pessoa?

pergunta 2: Onde você obteve essa informação?

A pergunta Onde você obteve essa informação? é particularmente importante na cultura de hoje, em que estamos afogados em informações de uma gama imensa de fontes. A informação está sendo bombeada em nós pela TV, rádio, música, websites, e-mail, blogs, boletins, filmes e conversas com pessoas que não têm nenhum filtro da verdade no lugar de jeito nenhum. Considere o tipo de resposta que você poderia receber à pergunta, Onde você obteve essa informação?

"Eu ouvi em algum lugar." Bem, quanto isso é confiavel? Arremata com outra pergunta matadora, Como você sabe que isso é verdade?

"Todo mundo diz." Pode ser, mas é verdade? Se você disser alguma coisa alto o bastante, com frequência o bastante e por tempo o bastante, as pessoas irão acreditar que é verdade, mesmo se não for. Por exemplo, "todo mundo diz" que a pessoa nasce gay. Todo mundo já não sabe disso hoje? É isso que nós ouvimos, todo dia, mas onde está a ciência que dá suporte a esta asserção? Acaba que não há nenhuma. Nenhuma lasquina de prova de que existe um gene gay.

Alguém pode dizer, "Eu li isso em algum lugar." Então pergunte, em um jornal ou revista legítimos? Ou foi em um tablóide? Elvis não está vivo e ninguém pode perder doze quilos em uma semana. Você pode ter lido isso em algum lugar, mas existe uma palavra para este tipo de escrito: ficção.

Você viu na internet? Pode ser simplesmente um indivíduo com grande habilidade gráfica espalhando coisas que ele mesmo inventou. Ou poderia ser algo vindo de um website confiável e legítimo como Probe.org.

Você viu na TV? Quem disse isso, e o quão confiável é a fonte? Trata-se de um fato ou opinião? Esteja alerta para a agenda da cosmovisão por trás da maioria das coisas que sai na mídia. O ex-repórter da CBS, Bernard Goldberg expôs as inclinações esquerdistas da mídia em seu livro Bias: A CBS Insider Exposes How the Media Distort the News [Tendência: Alguém de Dentro da CBS Expõe Como a Mídia Distorce as Notícias]. A maioria das coisas que você vê na TV é o que a Bíblia chama de "o mundo", e devemos ter discernimento e ceticismo acerca dos valores e informações que ela nos passa.

Não seja enganado por alguém que parece confiante e seguro. Muitas pessoas sentem-se confiantes sem qualquer base para se sentirem assim. Pergunte, Onde você obteve essa informação? É uma grande pergunta matadora.

Pergunta 3: Como você sabe que isso é verdade?

A terceira pergunta matadora é, Como você sabe que isso é verdade? Esta é provavelmente a pergunta mais poderosa de todas. Ela coloca o ônus da prova sobre a outra pessoa.

A maioria das pessoas não tem consciência do que eles presumem ser verdade; simplesmente não há outro modo de ver o mundo. Eles geralmente crêem no que crêem sem se perguntar se é verdade, se aquilo está alinhado com a realidade. Se você respeitosamente fizer perguntas matadoras como Como você sabe que isso é verdade?, de repente pode começar a ocorrer para as pessoas que o que elas crêem, elas crêem pela fé. Mas onde a fé dessas pessoas está alicerçada?

Algumas vezes, a coisa mais bondosa que podemos fazer por uma pessoa é sacudir gentilmente suas pressuposições e convidá-las a pensar.

A filosofia reinante na ciência hoje em dia é o materialismo, a insistência de que o universo físico é tudo o que existe. Algo só é real se puder ser medido e quantificado. Precisamos perguntar, Como você sabe que não há nada além do contínuo matéria-espaço-tempo-energia? Como você sabe que os instrumentos de medição física são os únicos que importam? Como você sabe que não existe algo não-físico, que não pode ser medido com ferramentas de medição físicas? Se tudo o que você tem é uma régua, como você mede o peso? (E se tudo o que você tem é uma régua e alguém quer falar sobre peso, seria fácil negar que existe algo como peso, somente altura e comprimento, muito parecido com a insistência dos materialistas de que, já que não podemos medir o sobrenatural, ele não existe).

No centro do debate sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias está a questão da pessoalidade de um embrião humano. Aqueles que insistem que não há vida até a implantação precisam ser questionados, Como você sabe que isso é verdade? É geneticamente idêntico ao embrião dez minutos antes da implantação. Como você pode saber que trata-se somente de um monte de células e não um ser humano?

O pensamento pós-moderno diz que ninguém pode conhecer a verdade. Esta filosofia permeia quase todo campus universitário. Para o professor que assevera, "ninguém pode conhecer a verdade", um aluno poderia perguntar, Como você sabe que isso é verdade? Se isso parece um tantinho louco para você, ótimo! Um professor que diz que não há verdade, ou que se há, ninguém pode conhecê-la, diz isso porque ele ou ela crê que isso seja verdade, ou eles não estariam dizendo isso!

Nós recebemos e-mails hostis em Probe informando-nos como somos estupídos e tendenciosos por crermos na Bíblia, pois ela foi mal-traduzida e modificada durante os séculos e que ela foi, afinal, escrita por homens. Quando eu pergunto "Como você sabe que isso é verdade?", eu não recebo respostas. Pôr o ônus da prova sobre a outra pessoa é bastante legítimo. As pessoas etão geralmente só repetindo o que elas ouviram de outros. Mas nós temos que estar prontos para oferecer uma defesa para a esperança que está em nós também {3}. É claro que quando apontamos para a Bíblia como nossa fonte de informação, é apropriado fazer a pergunta matadora "Como você sabe que isso é verdade?". Felizmente, há uma enorme quantidade de evidências de que a Bíblia de hoje é viturlmente a mesma que os manuscritos originais. E há fortes evidências de suas origens sobrenaturais por causa de coisas como as profecias cumpridas. Vá até a seção "Reasons to Believe", de Probe.org para ler inúmeros sobre por quê podemos confiar que a Bíblia é mesmo a palavra de Deus.

Há muitas pessoas erradas e enganadas que crêem em reencarnação e insistem que lembram-se de suas vidas passadas. Shirley MacLaine alega ter sido uma gueixa japonesa, um suicida em Atlântida, um órfão criado por elefantes e a sedutora de Carlos Magno {4}. É aqui que entra a pergunta matadora. Se você perde suas memórias da vida quando morre, como você sabe que suas vidas passadas são reais? Quando você nasce em um novo corpo e o seu prontuário é limpo, como você sabe que é você mesmo?

Muitas pessoas têm abraçado um padrão pragmático e pertinente do tipo "Ah, pra mim não tem problema ". "Pra mim não tem problema fraudar minha daclaração de renda, desde que eu não seja pego". "Pra mim não tem problema passar horas em sites pornô tarde da noite, desde que minha espoda não saiba como acessar o histórico do computador". "Pra mim não tem problema manter Deus em seu canto do universo enquanto eu faço o que quero; eu vou virar religioso quando for velho". Bem, como você sabe que funcionará? Você ainda não viu o quadro todo. Você não pode conhecer o futuro e você não tem como saber como as consequências de amanhã serão colhidas de suas escolhas de hoje.

Deixe-me acrescentar uma advertência aqui. A questão por trás de Como você sabe que isso é verdade? é, na verdade, "Por que eu deveria acreditar em você?". Pode ser bastante desconcertante ser desafiado desse jeito, então esteja certo de perguntar com uma expressão simpática e sem farpas na voz.

Pergunta 4: E se isso estiver errado?

Um benefício desta pergunta é que ela nos ajuda a não desperdiçar tempo e esforço. Há muitos problemas onde isso não importa muito se estivermos errados. Se você está agonizando em cima de um menu de restaurante, tentando imaginar qual a melhor entrada, e se você estiver errado? Não importa. Você pode provavelmente voltar outro dia. Se você não puder, porque você esteja viajando e nunca terá outra chance, isso vai arruinar sua vida? Absolutamente não.

Muitos de nossos jovens (e, infelizmente, adultos também) crêem que fazer sexo é somente parte de ser social. Muitos deles crêem que o sexo se qualifica como recreação, muito como ir a um parque de diversões. Eles precisam ser desafiados: E se isso estiver errado? Além da alta probabilidade de contrair inúmeras doenças sexualmente transmissíveis, existe a contínua dor no coração da descoberta de que "casual" sexo não é, por causa de seu impacto duradouro no coração.

A questão principal aqui é, O que você acredita sobre Deus? Como você lida com a alegação de Jesus "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai se não por mim"?{5}. E se você acredita que Deus não existe, ou que você pode viver como quiser e Deus irá deixar você ir para o céu porque você não é um assassino em massa? Precisamos perguntar, E se você estiver errado? Você será separado de Deus para sempre!

É muito justo que os seguidores de Cristo também se façam esta pergunta. E se nós estivermos errados? E se nós estivermos na verdade vivendo uma ilusão de que existe um Deus e um propósito para a vida? Eu diria, "Sabe de uma coisa? Eu ainda viveria uma vida ótima, cheia de paz e propósito e completude". Em última instância, se não há Deus, isso não importaria - nada importaria! - mas eu ainda amaria minha vida. De qualquer modo, se eu estiver certo ou errado, eu ganho."

Essas quatro perguntas matadoras são poderosas para iniciar uma conversa significativa e encorajar a si mesmo e outros, a pensar criticamente. Use-as com sabedoria, esteja preparado para algumas conversas interessantes... e divirta-se!


Notas

1. Nosso companheiro apologista Bill Jack da Worldview Academy (www.worldview.org) também popularizou essas "perguntas matadoras", mas elas são podem ser rastreadas até Sócrates.
2. "Created Male and Female: Biblical Light for a Sexually Darkened World" conferência patrocinada pelo International Council for Gender Studies,
10-12 de outubro, 2003.
3. 1 Pedro 3.15.
4. www.fortunecity.com/emachines/e11/86/duncan2.html
5. João 14.6.


© 2007 Probe Ministries


Sobre a autora

Sue Bohlin é uma preletora associada a Probe Ministries. Ela cursou a Universidade de Illinois, e tem ensinado a Bíblia e sido conferencista por mais de 25 anos. Ela presta o serviço de Mentoring Mom [Mãe Mentora] para a MOPS [Mães de Crianças na Pré-escola], e na diretoria do Living Hope Ministries [Ministério Esperança Viva], um ministério centrado em Cristo para aqueles que lidam com uma homossexualidade indesejada. Ela também é uma calígrafa profissional e ela também ajuda no site de Probe Ministries; mas, mais importante, ela é a esposa do Dr. Ray Bohlin e a mãe de seus dois filhos adultos.

20 janeiro 2009

Só a ciência trata da realidade?

Escrito pelo Dr. Ray Bohlin, traduzido por Allan Ribeiro

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Você ficaria surpreso se ouvisse que as igrejas podem ser proibidas de ensinar qualquer idéia contrária à evolução darwinista? "Impossível!", você diz. "A constituição garante liberdade de expressão! A primeire emenda garante que o congreso não pode passar nenhuma lei que restrinja ou promova qualquer exercício religioso!".

Bem, sim, a constituição diz isso, mas seja paciente comigo e eu te mostrarei porque a resposta para a primeira pergunta deveria ser "sim".

No último número da Nature, provavelmente a mais prestigiosa revista científica no mundo, uma carta ao editor apareceu em 28 de agosto de 2008, página 1049. Dois conhecidos biólogos evolucionistas, Jerry Coyne da Universidade de Chicago, e Matthew Cobb da Universidade de Manchester, escreveram a carta para reclamar de um editorial anterior expressando esperança de que a Templeton Foundation, que financia pesquisas para promover a relação entre ciência e religião, possa produzir algumas resoluções úteis.

Coyne e Cobb não poderiam discordar mais:

Ficamos perplexos com o editorial sobre o trabalho da Templeton Foundation.... Com certeza a ciência trata de encontrar explicações materialistas para o mundo - explicações que podem inspirar aqueles assombrosos sentimentos de admiração, maravilhamento e reverência no hiper-evoluído cérebro humano.

A religião, por outro lado, trata de seres humanos pensando que admiração, maravilhamento e reverência são a pista para entender um universo feito por Deus.... Há um conflito fundamental aqui, um que não pode nunca ser resolvido até que todas as religiões parem de fazer alegações sobre a natureza da realidade (ênfase minha).

O estudo cietífico da religião está realmente cheio de grandes questõe que precisam ser respondidas, tais como por que a crença na religião é negativamente correlacionada com uma aceitação da evolução. Alguém poderia considerar estudos psicológicos de porque os humanos são supersticiosos e crêem em coisas impossíveis....

...Você sugere que a ciência possa produzir "avanços no pensamento teológico". Na verdade, a única contribuição que a ciência pode trazer para as ideias religiosas é o ateismo (ênfase minha).

Coyne e Cobb claramente declaram que a religião não tem autoridade para fazer alegações sobre a realidade. Se a ciência tiver permissão para persistir nesta audaciosa distorção da religião e da ciência, então qualquer tipo de ensinamento que seja crítico a qualquer aspecto da evolução naturalista seria considerado uma influência negativa para a sociedade como um todo. A religião é vista como cruzando seus limites constitucionamente protegidos.

Professores de biologia reclamam constantemente agora que o que eles ensinam sobre a evolução é contradito pelas igrejas que seus alunos frequentam. Isso é obviamente muito frustrante. Se a ciência é o único ramo do conhecimento que tem permissão para fazer alegações sobre a realidade, então os ensinamentos religiosos não deveriam ter permissão para interferir.

Você pode ainda estar pensando que eu estou levando isso longe demais. Pense, contudo, que a California state university já se recusa a dar crédito a cursos de ciência no nível médio que incluam qualquer coisa além da evolução naturalista. Muitos alunos formados em escolas privadas cristãs na Califórnia estão achando que seus cursos de ciência não serão aceitos em universidades estaduais. Essencialmente isso significa que você não entra a não ser que possa compensar esses créditos fazendo cursos de curta duração de ciências em faculdades que satisfaçam o padrão "só evolucionismo".

Governos estaduais pode facilmente decidir que eles precisam ajudar esses alunos de escolas religiosas exigindo que essas escolas religiosas não possam mais ensinar material religioso que contradiga padrões determinados pelo estado. Afinal, trata-se de uma violação da separação entre estado e igreja!

Se você jamais questionou a importância da controvérsia evolução/design inteligente, eu espero que você entenda agora. A não ser que possamos convencer um número suficientemente grande na comunidade científica de que a ciência é limitada e que o assunto das origens é uma dessas limitações, nós podemos não ser capazes de ensinar legalmente os estudantes sobre qualquer coisa sobre a criação ou design inteligente.

Conquanto Coyne e Cobb certamente não representam todos os cientistas, eles não são os únicos! Acredite. Eu assisti um vídeo recentemente de Jerry Coyne fazendo uma apresentação em um encontro científico em que ele basicamente fez a mesma séria afirmação. NINGUÉM levantou objeções. Ele foi aplaudido entusiasticamente. Veja por si mesmo aqui. Conquanto a palestra toda valha a pena ser assistida, os últimos oito minutos, quando ele apresenta um slide somente com a palavra "Religião" escrita, são o segmento chave.

Coyne e outros estão tentando estabelecer o que Nancy Pearcey chamou de divisão fato/valor, em seu livro Total Truth. Para Coyne a ciência é baseada em fatos. Somente explicações materiais são permitidas na ciência, já que a religião é baseada em valores pessoais e não tem nada a ver com fatos. Deste modo, se você tentar injetar seus valores pessoais (Criação, design inteligente) no mundo dos fatos (ciência), isso é uma violação das regras da ciência. Não é permitido.

De acordo com Jerry Coyne, falando no vídeo, a única maneira de aumentar a aceitação da evolução é reduzir ou eliminar a influência da religião. As duas são incompatíveis! Coyne é incapaz de perceber que ele também tem uma cosmovisão, materialismo, que influencia o modo como ele interpreta as informações da ciência. Ele crê erroneamente que está sendo objetivo em sua interpretação.

Esta é uma batalha tanto cultural quanto científica. Para maiores informações e recursos de Probe para ajudar você a instruir a si e a outros sobre a evolução e o design inteligente, veja www.redeemingdarwin.com e pesquise nossos artigos em www.probe.org. Se nós não “derrubarmos fortalezas” como essa, podemos nos encontrar atrás de impenetráveis muros silenciosos.


Sobre o autor

Raymond G. Bohlin é presidente de Probe Ministries. Ele é formado pela universidade de Illinois (zoologia), pela North Texas State University (Mestrado em genética de populações), e pela University of Texas em Dallas (mestrado e doutorado em biologia molecular). Ele é o co-autor do livro The Natural Limits to Biological Change, serviu como editor-geral de Creation, Evolution and Modern Science, foi co-autor de Basic Questions on Genetics, Stem Cell Research and Cloning (The BioBasics Series), e publicou numerosos articles de jornal. Dr. Bohlin foi nomeado um Research Fellow [Pesquisador Associado] do Discovery Institute's Center for the Renewal of Science and Culture em 1997-98 e 2000.


© 2008 Probe Ministries

04 fevereiro 2005

É Importante no Que Acreditamos?

Por Rick Wade, traduzido por Allan Ribeiro

É importante em que acreditamos ou simplesmente que acreditemos? Um estudo lançado recentemente pelo Pew Forum on Religion and Public Life, sugere que a maioria das pessoas religiosas na América acha que em que eles acreditam não é tão importante (1).

De acordo com o relatório, oitenta e três por cento das pessoas que se identificaram com as principais igrejas protestantes acreditam que muitas religiões podem levar à vida eterna. Isso pode não ser uma surpresa para aqueles que estão familiarizados com as mudanças nas principais igrejas no último século.

Mas o que você diria se soubesse que cinqüenta e sete por cento das pessoas que se identificam como evangélicas acreditam que muitas religiões podem conduzir à vida eterna? Cinqüenta e sete por cento! Isso significa que a maioria dos evangélicos são o que chamamos de “pluralistas religiosos”. Está surpreso? Para piorar o nosso embaraço, os mórmons e Testemunhas-de-jeová têm convicções mais fortes de que suas crenças são verdadeiras do que os evangélicos.

Algumas descobertas na pesquisa foram de bagunçar cabeças. Por exemplo, treze por cento dos evangélicos pesquisados crêem que Deus é uma força impessoal. Pode ser um pouco tranqüilizador descobrir que os evangélicos não estão sós no mercado de “crenças confusas”. Seis por cento dos ateus pesquisados acreditam em um Deus pessoal, e doze por cento acreditam no céu! O que é que a gente faz com isso?

O que quer que isso possa significar precisamente, pelo menos significa que crenças específicas são propriedade do crente, não da religião em si. Fidelidade às crenças de religiões em particular (ou irreligião, no caso do ateísmo) significam muito menos hoje do que no passado. Eu posso me associar a um determinado grupo, mas retenho o direito de decidir por mim mesmo em que eu devo crer.

É compreensível em certo sentido, porque as pessoas pensam assim, inclusive os evangélicos. Esta mentalidade pluralista inspira nossa consciência social. Nós não devemos excluir pessoas de outras raças ou do outro gênero de todas as numerosas áreas da sociedade. Empresas são proibidas de discriminar com base em “raça, cor, nacionalidade, religião ou sexo” (2). Eu não estou argumentando contra nada disso. Eu estou simplesmente apontando para nossa mentalidade social que exige (ou ambiciona) nivelar as diferenças. A recusa em conceder status especial é aplicada às crenças religiosas também. Mas isto não significa que nós simplesmente toleramos pessoas de crenças diferentes, agora nós devemos ratificar suas crenças!

Além dessa mentalidade pluralista, hã o problema sério para os evangélicos que é a redução do ensino doutrinário nas igrejas. David Wells lamentou esta perda em seu livro de 1993, No Place for Truth, or, Whatever Happened to Evangelical Theology? Ele foi estimulado a escrever o livro depois que um aluno em sua cadeira de teologia no seminário perguntou a ele como ele poderia justificar gastar tanto dinheiro em uma disciplina que “era tão irrelevante para o seu desejo de ministrar para as pessoas na Igreja”. (3).

Um problema que algumas pessoas têm com uma forte preocupação com a doutrina é que ela tenderia a dividir os cristãos. Na medida em que nós nos segregamos de outros cristãos por causa de crenças não-essenciais, nós estamos errados. A unidade é muito importante. Mas em nenhum lugar nas Escrituras nós somos ensinados que a unidade deve ser preservada a qualquer preço, ao custo da verdade. Depois de exortar os efésios a se unirem no vínculo da paz, Paulo lista aquilo em que devemos estar unidos: um corpo, um Espírito, um Senhor, uma fé, um batismo, um Deus e Pai de todos (4.3-6). Nós não devemos ser unidos em torno da convicção que quando se trata de religião, é cada um na sua.

Outra razão para a relutância em insistir na integridade doutrinária é a mentalidade sobre a verdade. Este tema está sendo batido agora nas discussões sobre o que é chamado de “igreja emergente”. O desejo de transformar um modernismo superzeloso em sua confiante declaração de fé está se mostrando em alguns cristãos que se alinham com este movimento em uma diminuição da importância dos compromissos doutrinários. A tentativa de evitar tanto o absolutismo quanto o relativismo os têm feito andar em uma corda-bamba que muito facilmente levará a uma mentalidade pluralista.

O que significa desistir da importância de crenças doutrinárias específicas? Primeiro, e muito obviamente, nós temos abandonamos o cristianismo bíblico. Em 1 Coríntios 15, Paulo declara crenças específicas que são essenciais: “que Cristo morreu por nossos pecados conforme as Escrituras, que ele foi sepultado, que ele foi ressuscitado ao terceiro dia conforme as Escrituras” (versículos de 3 a 5). Jesus fez a afirmação ousada e definitivamente não-politicamente correta de que ele é o único caminho para Deus (João 14.6). Paulo diz que a salvação vem para aqueles que confessam com suas bocas que Jesus é o Senhor e que crêem em seus corações que Deus o ressuscitou dos mortos (Romanos 10.9), Por todo o Velho e o Novo Testamentos, nós somos apresentados a uma declaração após a outra, apresentadas como verdadeiras.

Segundo, nós devemos nos apegar firmemente aos ensinamentos históricos do cristianismo bíblico se quisermos ter qualquer coisa para oferecer ao mundo. Um dos resultados mais significativos da diluição das características do cristianismo é que, com o tempo, a freqüência nas principais igrejas diminuiu; elas não têm nada a oferecer que seja diferente do que as pessoas podem obter fora da igreja.

Wells aponta que “o grande pecado do Fundamentalismo é fazer concessões desonrosas; o grande pecado do evangelicalismo é ser estreito”. Considerando que os evangélicos uma vez se opuseram vigorosamente contra o declínio doutrinário do liberalismo, agora, diz Wells, “os evangélicos, não menos que os liberais antes deles, a quem eles haviam sempre repreendido, agora abandonaram a doutrina em favor da ‘vida’” (4). Nós estamos indo bem na arena da assistência social; nós estamos nos saindo muito mal em treinar nosso povo nas crenças básicas do cristianismo enquanto crenças que são verdadeiras para todas as pessoas em todas as épocas.

Wells aponta para as conseqüências da perda da convicção doutrinária. Primeiro é a simples perda da convicção. O que queremos dizer? Você já ouviu isso antes: Uma pessoa [ou igreja] que não quer dizer nada, cairá por qualquer coisa. Em segundo lugar está a perda do que deve ser alcançado quando estimulado por uma visão teológica. É ser legal e fazer do bem a substância de nossa ordem para marchar? Em terceiro está a perda de qualquer sentido realmente significativo do que “evangélico” quer dizer. Em quarto está a perda de unidade com o desmembramento de interesses individuais.

Se o cristianismo não tem a verdade sobre como se pode obter a vida eterna, ele não tem nada mais a oferecer do que uma experiência religiosa (qualquer que possa ser ela para um indivíduo qualquer). Ele perdeu toda a sua substância. Já que ele alega ser o único caminho para Deus, o que tem sido habilmente dito tantas vezes admite ser repetido: ou ele é verdade para todos, ou não é verdade de modo algum.

Notas

1. U.S. Religious Landscape Survey: Religious Beliefs and Practices: Diverse and Politically Relevant, June 2008; religions.pewforum.org
2. The U.S. Equal Employment Opportunity Commission,
www.eeoc.gov/facts/qanda.html.
3. David Wells, No Place for Truth, or, Whatever Happened to Evangelical Theology?
(Grand Rapids: Eerdmans, 1992), 4.
4. Ibid., 129, 131.

© 2008 Probe Ministries

Sobre o Autor

Rick Wade graduou-se no Moody Bible Institute com um bacharelado em comunicaçõess (transmissão por rádio) em1986. He graduou-se cum laude in 1990pela Trinity Evangelical Divinity School com um mestrado em pensamento cristão (teologia/filosofia da religão) onde seus estudos culminaram em uma tese sobre a apologética de Carl F.H. Henry. Ele está atualmente perto de completar um mestrado em humanidades pela University of Dallas. Os interesses de Rick concentram-se em apologética e cristianismo e cultura com interesse especial em temas de preocupação especial nestes dias "posmodernos" (tais como o pluralismo religioso e o problema da verdade). Antes de unir-se a Probe Ministries em fevereiro de 1997, Rick trabalhou na industria naval em Norfolk, VA. Rick e sua famíliaconstruíram seu lar em Garland, Texas.

O que é Probe?

Probe Ministries is a non-profit ministry whose mission is to assist the church in renewing the minds of believers with a Christian worldview and to equip the church to engage the world for Christ. Probe fulfills this mission through our Mind Games conferences for youth and adults, our 3-minute daily radio program, and our extensive Web site at www.probe.org.

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www.probe.org

03 fevereiro 2005

As Raízes da Liberdade

Escrito por Kerby Anderson, traduzido por Allan Ribeiro

Introdução

O que é liberdade? Quais são as raízes da liberdade? Responder a essas perguntas não é tão fácil quanto possa parecer. Elas exigem algum pensar e refletir, o que, para a maioria de nós, é um produto valioso.

Felizmente, parte do trabalho duro já foi feito por nós pelo professor John Danford em seu livro Roots of Freedom: A Primer on Modern Liberty [Raízes da lIberdade: Um Manual Sobre a Liberdade Moderna]. O material neste livro foi originalmente material que foi transmitido pela Rádio Europa Livre e pela Rádio Liberdade no fim dos anos 80. Somente mais tarde alguém sugeriu que o material deveria ser publicado para que os cidadãos em uma sociedade livre pudessem também se beneficiar de seu trabalho em descrever as raízes da liberdade.

Então, como John Danford descreve uma sociedade livre?

As pessoas com certeza discordarão, mas o que se quer dizer aqui é uma sociedade em que os seres humanos não “nascem em” um lugar – um castelo ou uma ocupação, por exemplo – mas livre para ter propriedades, criar filhos, ganhar a vida, pensar, adorar, expressar visões políticas e até mesmo emigrar se desejarem, e de fazer isso sem buscar permissão de um mestre (1).

Obviamente nós todos temos alguns limites em nós, mas a liberdade humana em uma sociedade livre certamente envolve a liberdade de ser capaz de fazer as coisas mencionadas acima.

Uma vez que definimos uma sociedade livre, nós podemos facilmente perceber algo muito perturbador. “Sociedades livres têm sido raras na história humana. Elas também parecem ser frágeis – mais frágeis do que foram as dinastias ou impérios do mundo antigo” (2).

No passado, a liberdade era rara geralmente por causa da necessidade econômica. Há pouca ou nenhuma liberdade para uma pessoa que deve trabalhar todas as horas em que está acordada somente para sobreviver. No mundo antigo, um homem era livre porque outro era escravizado. Um homem livre era livre porque ele não precisava trabalhar para ganhar a vida.

Pelo fim do século dezoito, a necessidade econômica deixou de ser o obstáculo principal para a liberdade em muitos lugares. Ainda assim, havia muito poucas sociedades livres, por que o poder político estava geralmente concentrado nas mãos de um rei ou ditador (ou talvez nas mãos de alguns poucos da classe governante).

Hoje temos poucos reis, mas ainda temos muitos ditadores. As sociedades livres também ainda são um artigo algo raro hoje. Consideres que há perto de 200 países nas Nações Unidas, e ainda assim é provavelmente justo dizer que menos de 50 poderiam verdadeiramente ser chamadas de sociedades livre (com democracias funcionais).

Se nada mais, este estudo sobre a liberdade deve nos deixar pelo menos agradecidos de vivermos em um país livre. Sociedades livres são raras na história, e elas ainda são algo raras hoje em dia. Nós nunca devemos deixar de valorizar a liberdade política e econômica que gozamos.

As Raízes Cristãs

Danford discute as raízes da liberdade em seu capítulo sobre “Cristianismo Pré-moderno”. Embora nós consideremos muitas dessas suposições (emprestadas do cristianismo) como básicas e óbvias, elas são contribuições importantes que garantem a fundação da liberdade política que gozamos hoje.

A primeira contribuição do cristianismo foi o seu ensinamento acerca do valor do indivíduo. Nos impérios grego e romano, o individuo valia muito pouco. “Um indivíduo particular não tinha qualquer conseqüência quando comparado com a glória e a estabilidade do império” (3).

Jesus e seus seguidores ensinaram os homens e mulheres a pensar em si mesmos como significativos aos olhos de Deus. Este princípio basilar da dignidade e da santidade dos seres humanos estava em total contraste com as idéias dominantes da época.

Outro aspecto deste princípio era a crença de que Deus não era somente o deus de uma cidade, ou de uma tribo, ou mesmo de uma nação. O Deus da Bíblia é Deus sobre todos os seres humanos e salvador de todos os indivíduos. A crença na universalidade de Deus, junto com a ênfase no indivíduo, garantiram um importante alicerce para a liberdade porque ela era “incompatível com a tendência antiga de subordinar o indivíduo inteiramente ao estado ou império” (4).

Uma segunda contribuição do cristianismo envolve a idéia linear da história. Escritores antigos “entendiam a passagem do tempo em termos de ritmos sazonais do mundo natural” (5). O cristianismo trouxe uma perspectiva diferente ao ensinar que a história é linear. A história da Bíblia é a história, afinal de contas, do começo do mundo, da pecaminosidade humana, de Cristo vindo ao mundo, e da eventual culminação da história.

O conceito de história linear leva à idéia de que as circunstancias podem mudar com o tempo. Se a mudança é progressiva, então com o curso da história humana pode haver progresso. “A noção de progresso é em si uma idéia moderna, mas as suas raízes podem ser observadas na doutrina cristã de que Deus entra no tempo histórico para salvar a humanidade” (6).

Uma terceira contribuição do cristianismo é o princípio da separação entre a fé e a esfera política. Hoje isso é conhecido como separação entre igreja e estado (7). Tal idéia era inconcebível no mundo antigo. Naquelas culturas, os reis e sacerdotes estavam intimamente relacionados.

Quando Jesus foi questionado pelos fariseus se era justo pagar o tributo (Mateus 22.15-21), Ele respondeu dizendo a eles “Dêem a César o que é devido a César, e a Deus o que é devido a Deus”. Embora isso tenha sido muitos séculos antes que todas as implicações desta doutrina estivessem claras, as sementes da liberdade espiritual podem ser encontradas nestes ensinamentos cristãos.

A quarta contribuição do cristianismo é a crença na verdade objetiva. Conquanto seja verdade que outros filósofos falaram sobre a verdade, uma perspectiva cristã da verdade é, todavia, uma contribuição adicional importante.

Por exemplo, se não há verdade, então “não há algo como um alicerce justo ou apropriado para a regra política: quem quer que tenha o poder é, por definição, capaz de determinar o que é justo ou injusto, certo ou errado” (8).

Em nosso mundo pós-moderno, que rejeita a idéia de verdade objetiva ou absoluta, toda história é meramente a história da luta de classes. “Não há escapatória da busca infinita por poder, e não há espaço, protegido por muros de justiça, onde a liberdade genuína possa ser experimentada” (9).

Esta nação foi fundada sobre o princípio (como articulado na Declaração de Independência) de que existem verdades auto-evidentes. Como Jesus ensinou aos seus discípulos, “Vocês conhecerão a verdade e a verdade vos libertará” (João 8.32).

Thomas Hobbes

Thomas Hobbes nasceu na Inglaterra em 1588, e foi educado em Oxford no início dos anos de 1.600. Ele foi influenciado por homens como Francis Bacon (tendo servido como secretário de Bacon por uma época), assim como pelos eventos dos séculos dezesseis e dezessete. Uma influência importante foi a guerra religiosa e os conflitos da época (a Guerra dos Trinta Anos, os conflitos na Inglaterra entre os anglicanos e os puritanos). “As duas grandes preocupações de Hobbes (eram): paz como objetivo do poder civil, e uma nova ciência política como meio para alcançar esse objetivo” (10).

Ele desenvolveu cinco princípios-chave em sua ciência política. O primeiro é que os indivíduos são mais fundamentais que qualquer ordem social. Para entender os humanos, argumentou ele, nós devemos voltar a um “estado da natureza”, o qual representa a condição que os seres humanos estariam se todas as convenções e leis da sociedade políticas fossem abolidas.

Hobbes também argumentou que os humanos são iguais politicamente. “Ninguém pode ser considerado como politicamente superior, porque todo ser humano é vulnerável à morte violenta nas mãos de seus semelhantes” (11). “A condição natural da humanidade, disse ele, é solitária, pobre, sórdida, animalesca e curta” (12).

Hobbes assim argumenta que porque essas necessidades são universais (e cientificamente demonstráveis), elas fornecem uma base para o acordo e para uma ordem política pacífica. Ele argumenta que nós deveríamos “ser desejosos, quando outros forem também, tão inclinados para a paz quanto para a defesa de si mesmo que ele pensará ser necessário, abandonar este direito a todas as coisa e se contentar com tal liberdade contra outros homens, quanto ele permitiria que outros homens tivessem contra ele mesmo”(13).

Quarto, já que a sociedade política existe para a auto-preservação, ninguém pode abrir mão do direito à auto-defesa. Um princípio cardeal de uma sociedade liberal é que nenhum homem pode ser compelido a confessar um crime ou a testemunhar contra si mesmo em um tribunal.

Finalmente, todos os governos legítimos repousam sobre um contrato consentido (pelo menos tacitamente) pelos indivíduos. Hobbes chama este acordo de um “pacto” porque é um contrato aberto, uma promessa que deve ser continuamente cumprida no futuro.

Hobbes também argumenta que um soberano deve impor este pacto porque “pactos sem a espada não passam de palavras” (14). Mas embora ele justificasse um governo poderoso ou soberano, esta foi uma perspectiva que foi desafiada por outros como John Locke, que acreditava que mesmo o soberano deve ser limitado.

John Locke

John Locke era o filho de um puritano que lutou ao lado de Oliver Cromwell. Embora não fosse um puritano ortodoxo como seu pai, ele era, entretanto, um cristão sincero que cria que a Bíblia era a “verdade infalível”.

Locke argumentou em seu Two Treatises of Government que homens formam sociedades “para a preservação mútua de suas vidas, liberdades e bens, que eu chamo pelo nome geral, propriedade” (15). Por outro lado, ele escreveu que as coisas materiais não são posse de ninguém, mas existem em comum para todos os homens. “Deus, como disse o rei Davi (Salmos 115.16) deu a terra para os filhos do homem, dando-a para a humanidade em comum” (16). Mas por outro lado, ele também reconheceu que tomamos posse de coisas e, assim, as tornamos nossa propriedade.

Ele que se alimenta das nozes que colheu sob um carvalho, ou das maçãs que apanhou das árvores na floresta, certamente se apropriou delas para si. Ninguém pode negar que a nutrição seja dele. Eu pergunto então, Quando eles começaram a fazer isso? Quando ele fez a digestão? Ou quando comeu? Ou quando cozinhou? Ou quando as trouxe para casa? Ou quando as apanhou? E isto está claro, se a primeira colheita não as tornou suas, nada mais poderia. Aquele trabalho pôs uma distinção entre elas e as outras. Isso adicionou algo a elas além do que a natureza, a mãe comum de todos, fez; e então elas tornaram-se sua propriedade privada (17).

Locke também argumentou que a terra é fundamentalmente sem valor até que o trabalho seja acrescentado a ela. Ele vai ainda mais longe ao argumentar que a riqueza é quase que totalmente o produto do trabalho humano (ele diz 999/1000 do valor das coisas é o resultado do trabalho).

Ele também argumentou que “Os homens sendo, como se tem dito, por natureza, todos livres, iguais e independentes, ninguém pode ser expulso de sua propriedade e submetido ao poder político de outrem, sem o seu consentimento” (18). Eke reconheceu que todo homem ou mulher nasce livre e torna-se um membro de uma nação ao concordar em aceitar a sua proteção, mas isso é mais comumente feito pelo que Locke chama de “consentimento tácito”.

Finalmente, Locke também concentrou sua preocupação na possibilidade de haver um governo opressivo, então ele insistiu na necessidade de limitar o poder do soberano tanto quanto possível. A legislatura não pode “Tirar de qualquer homem qualquer parte de sua propriedade sem seu próprio consentimento” (19).

Locke também insistiu em uma limitação final ao poder do governante: a cidadania. Ele escreve, “ainda que o legislativo seja somente um poder fiduciário para atuar com determinados fins, ainda resta nas pessoas o poder supremo de remover ou alterar o legislativo, quando eles acharem que o legislativo age contra a confiança depositada nele” (20).

Liberdade Americana

As idéias de liberdade encontraram seu caminho para a América quando as rachaduras provocadas pela guerra civil inglesa levaram muitos súditos ingleses para o Novo Mundo.Em suas viagens, “eles levaram consigo tanto do sistema de liberdade inglês quanto pôde sobreviver à travessia do Atlântico” (21).

Alguns desses colonizadores estabeleceram pactos civis (ou o que Locke chamaria mais tarde de contratos sociais). Talvez o mais conhecido seja o Mayflower Compact que foi um pacto político unindo os pilgrims em um “corpo político civil”. A maioria desses assentamentos americanos envolvia o auto-governo simplesmente porque os poderes que originalmente garantiam a eles seu sustento estavam milhares de milhas distantes.

O documento de fundação da América é a Declaração da Independência. As idéias de John Locke podem certamente ser encontradas neste documento. A Declaração afirma o princípio de Locke de que “todos os homens são criados iguais”. Ela também segue este raciocínio ao dizer que “Para assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados”.

Todos os escritores durante o período fundacional (Thomas Jefferson, James Madison, George Washington, John Adams, Benjamin Franklin, Alexander Hamilton) eram “profundamente” instruídos em história inglesa, história política geral e a história do pensamento político até Aristóteles e Platão. Referências a Cícero, Tácito e Plutarco pontuam suas páginas, junto com alusões freqüentes a repúblicas tão diversas quanto Veneza, Holanda, Genebra, Esparta e Roma” (22).

Alexander Hamilton, escrevendo nas The Federalist Papers, [Cartas Federalistas] disse que o povo americano decidiria “se sociedades de homens são realmente capazes ou não de estabelecer bons governos a partir de reflexão e escolha, ou se elas estão para sempre destinadas a depender, em suas constituições políticas, de acidentes e força” (23).

James Madison, nas The Federalist Papers, tocou em duas questões-chave no governo americano: facções e limitação do poder governamental. Ele sugeriu que a grande república federal tornou mais difícil para facções obterem poder e oprimir outros.

A limitação o poder do governo foi alcançada pela separação dos poderes. “Ambição deve se contrapor à ambição. O interesse do homem deve estar conectado com os direitos constitucionais do lugar” (24). Os autores buscavam “a política de suprir através de interesses opostos e rivais” a estes vários ramos do governo.

Como uma precaução extra, os autores também dividiram a legislatura (porque se achava que fosse ser o braço mais poderoso e perigoso) em duas casas diferentes. Eles também decidiram “conferir a eles, por modos diferentes de eleição e princípios diferentes de ação, tão pouco ligados uns aos outros quanto a natureza de suas funções comuns e sua dependência comum na sociedade puder admitir” (25).

Eles ainda protegeram direitos individuais ao apor a Bill of Rights. Essas emendas explicitamente negam poderes ao governo para interferir com liberdades individuais específicas.

Como podemos ver, os direitos e liberdades que gozamos hoje evoluíram com o tempo através da influência cristã e por escritores importantes na tradição ocidental.


Notas

  1. John W. Danford, Roots of Freedom: A Primer on Modern Liberty (Wilmington, DE: ISI Books, 2000), xiv.
  2. Ibid., xiv-xv.
  3. Ibid., 13.
  4. Ibid., 14.
  5. Ibid.
  6. Ibid., 15-16.
  7. Leia o meu artigo, "The Separation of Church and State" [Separação entre igreja e estado] no website de Probe em http://www.probe.org/content/view/1150/88 ou sua tradução para o português aqui no Equipando os Santos, na pasta “Probe”.
  8. Ibid, 18.
  9. Ibid., 20.
  10. Ibid., 77.
  11. Ibid., 83.
  12. Thomas Hobbes, Leviathan (Indianapolis: Hackett Publishing, 1994), 76.
  13. Ibid, 80.
  14. Ibid., 106.
  15. John Locke, Two Treatises of Government, ed. Peter Laslett (Cambridge: Cambridge University Press, 1960), Second Treatise, Par. 123, 395.
  16. Ibid., Par. 25, 327.
  17. Ibid., Par 28, 329-330.
  18. Ibid., Par. 95, 375.
  19. Ibid., Par. 138, 406.
  20. Ibid., Par. 149, 413.
  21. Danford, 146.
  22. Ibid., 149.
  23. Alexander Hamilton, The Federalist Papers (New York: New American Library, 1961), No. 1, 33.
  24. Ibid., No. 51, 322.
  25. Ibid.

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Sobre o Autor

Kerby Anderson é diretor nacional de This email address is being protected from spam bots, you need Javascript enabled to view it Probe Ministries International. Ele recebeu sua graduação (Bacharel em Ciências) na Oregon State University, mestrado em ciências pela Yale University, e em teologia pela Georgetown University. Ele é o autor de vários livros, incluindo Genetic Engineering [Engenharia Genética], Origin Science [Ciência da Origem], Living Ethically in the 90s [Vivendo Eticamente nos Anos 90], Signs of Warning, Signs of Hope, Moral Dilemmas [Sinais de Alerta, Sinais de Esperança, Dilemas Morais], e Christian Ethics in Plain Language [Ética Cristã em Linguagem Direta]. Ele também serviu como editor geral da Kregel Publications nos livros Marriage, Family and Sexuality [Casamento, Família e Sexualidade] e Technology, Spirituality, & Social Trends [Tecnologia, Espiritualidade e Tendências Sociais]. Ele é um colunista nacional, cujos editoriais tem sido publiados no Dallas Morning News, no Miami Herald, no San Jose Mercury, e no Houston Post. Ele é o anfitrião do programa de rádio "Probe", e frequentemente ajuda como anfitrião em "Point of View" [Ponto-de-Vista] (USA Radio Network).

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02 fevereiro 2005

Um Cristianismo Relevante

Escrito por Rick Wade de Probe Ministries
Traduzido pelo pastor James A. Choury

O Cristianismo e a Vida Humana

No seu livro, Os Intelectuais Não Precisam de Deus (e Outros Mitos Modernos), o teólogo Alister McGrath conta sobre seu amigo, colecionador de selos postais. “Meu amigo”, diz McGrath, “é capaz de me dizer tudo o que eu poderia querer saber sobre os selos emitidos nas Ilhas Canárias durante o reinado da rainha Vitória, da Inglaterra. Embora eu não duvide da verdade de tudo que ele me diz, não consigo ver a relevância disso para minha vida pessoal.

Muitas pessoas vêem a fé cristã à mesma luz. Simplesmente não conseguem ver a importância de uma religião de quase 2000 anos e que aparentemente já saiu de moda. Um dos deveres do apologista é mostrar ao mundo que o cristianismo é relevante aos nossos tempos atuais. Podemos memorizar muitos dados sobre a ressurreição de Cristo ou sobre a inspiração da Bíblia. Podemos aprender argumentos lógicos para a existência de Deus e outras doutrinas cristãs. Podemos mostrar que o cristianismo é coerente, conseqüente e completo. Porém tudo isso não adianta se as pessoas só vêem o cristianismo como uma coisa ultrapassada e gasta, sem importância para a vida moderna.

É por isso que alguns pensadores cristãos estão dizendo que antes de convencer ao mundo da verdade do cristianismo, precisamos mostrar que o cristianismo é relevante para a vida moderna. Precisamos mostrar que é benéfico e útil.

Porque precisamos começar em um nível tão fundamental? Primeiro, muitas pessoas já foram convencidas de que a religião nada tem a ver com a vida política, econômica ou social. Segundo, muitos acreditam que só a ciência e a tecnologia são capazes de produzir informações benéficas. Essa fé cega na ciência facilmente conduz a uma crença “naturalista” onde Deus não existe, ou simplesmente não importa.

Mesmo que nossa vida física tenha melhorado graças à ciência e à tecnologia, nossa cultura aparentemente continua com grandes problemas nas áreas moral e da vida em comunidade. Nossa cultura está tentando se encontrar. Perguntamos “quem sou?” e “o que devo estar fazendo aqui?” e “para onde estou indo?”. Perguntamos qual o significado da vida sobre este planeta. Sou uma mera partícula de poeira cósmica num universo imenso e sem fim? A minha existência tem algum sentido ou propósito?

Além de poder responder logicamente às perguntas sobre os fatos da ressurreição e da existência de Deus, precisamos mostrar que o cristianismo tem soluções para as perguntas mais profundas e pessoais da vida humana. Fazendo isso ganharemos a atenção de parte dos não-convertidos que nunca teríamos ganho só ficando sempre falando de dados isolados e remotos (para eles) relacionados com religião e história.

Neste artigo apresentarei os problemas da 1) significância, 2) moralidade e 3) esperança e farei um contraste entre o que oferecem o cristianismo e o naturalismo a respeito de cada assunto.

A Questão da Significância

Muitas pessoas talvez nem pensem no significado da vida humana. Porém, todos perguntamos: “Qual o sentido de fazer ou não fazer tal coisa, qual o significado?” Pessoas analíticas levam o assunto além disso, perguntando: “Minha vida toda tem algum sentido?” “Realmente importa o que eu faço?” Muitas pessoas diriam que a vida não tem sentido nem importância, mas quase todos nós sentimos que deveria ter. Procuramos dar sentido à nossas vidas por meio de criatividade ou talvez ajudando a outros.

A questão da significância envolve outros assuntos. De onde eu venho? Qual o propósito da minha vida? Para onde vai tudo isto? O que deveria eu estar fazendo? A filosofia predominante no ocidente hoje em dia é o naturalismo. Todos tendemos a crer que se um assunto não é “científico” não é certo nem importante. Porém, o método científico só trata de assuntos descritos em termos de quantidade: tamanho, distância, velocidade, peso. A ciência é totalmente incapaz de nós orientar em relação a valores, moral, significância e propósito de vida. Seguindo essa filosofia só chegamos à conclusão de que nós também somos só moléculas, átomos, e energia. Segundo essa postura a única significância que a vida pode ter é a que cada um lhe dá na sua própria mente.

Mas se a cada um compete atribuir um sentido à sua vida, o que seria nosso guia? Qual seria nossa “barra de medir”. O que fazemos quando o que você crê dar sentido a sua vida é ofensivo para mim. O que fazemos quando nossas definições de significância nem satisfazem nossos corações? Muitos acreditam que possuir bens materiais é o objetivo da vida. Após conseguir seu objetivo, descobrem que não estão satisfeitos. Outros procuram o poder só para ficar desenganados com os problemas e o fracasso. A vida sem Deus só pode ter significância transitória e tênue.

O cristianismo oferece uma explicação para todas essas questões. Nossas vidas têm sentido e nossas atividades são importantes porque fazem parte de um plano e propósito eternos criados por Deus. Viemos Dele e, ao final, teremos que prestar contas com Ele.

A Questão da Vida Moral

No seu livro Pode o Homem Viver Sem Deus?, o autor Ravi Zacharias diz o seguinte: “O ateísmo dá ao homem todo motivo para viver sem moral e é totalmente carente de pontos de referência que possam nos ajudar a fazermos escolhas. O ateísta que vive meramente uma vida moral está se comportando melhor do que sua filosofia demanda.” Zacharias não está dizendo que todo ateísta (ou anti-teísta como ele os chama) é imoral. Só está dizendo que o ateísmo não oferece nenhuma norma ou padrão fixo com respeito a moralidade.

A moralidade é uma parte inata do ser humano. Um senso de bem e mal está arraigado firmemente dentro de nossa natureza. Constantemente estamos avaliando ações e acontecimentos e até outras pessoas e a nós mesmos. Chamamos os assuntos de bons ou ruins ou nenhum dos dois. Essas são avaliações morais. Acreditamos que esses assuntos têm alguma importância para a vida em comunidade.

O naturalismo é a filosofia reinante em nossos dias. Muitos dizem crer em Deus, porém na prática obedecem aos ensinamentos do naturalismo. A idéia geral é que não existe uma moral universal e absoluta. Cada um está livre para escolher ou mudar sua vida moral segundo as circunstâncias. A verdade é que o naturalismo não oferece uma ajuda para nós fazermos nem sequer uma escolha individual.

Uma pergunta que poderíamos fazer para o ateísta é: “Como você justifica as suas próprias ações?”. Ele talvez responderia que nem precisa de justificações além de seus desejos e necessidades. Poderíamos também perguntar como ele justifica sua indignação a respeito das ações de outros. Também seria bom perguntar se ele gosta de ter suas objeções levadas em conta pelos outros. Quando esperamos que outros considerem nossas objeções a sério estamos dizendo que existem normas superiores às normas individuais e relativas (a não ser que estejamos dizendo que nós mesmos somos a suprema autoridade em tais assuntos). Porém o que isso significa a respeito de cada um criar sua própria moral? O ateísta está querendo usufruir de dois mundos contrários. Ele quer determinar sua própria moral. Porém, será que está disposto a dar a todos esse mesmo privilégio?

Agora, o ateísta talvez diga (como disse o filósofo humanista Paul Kurtz) que obviamente precisamos ter regras gerais para governar a sociedade. Kurtz diz que a educação, o raciocínio, a ciência e a democracia são suficientes para que o povo decida quais serão as suas normas. Mas entre pessoas inteligentes existem diferentes opiniões. O raciocínio frequentemente conduz a conclusões bem diferentes. Nem sempre o voto majoritário está certo. Os nazistas eram a maioria em sua época e lugar. Não, a educação, o raciocínio, a ciência e a democracia não são suficientes. Precisamos de uma lei superior.

Paul Kurtz, talvez sem saber, supõe que as nossas leis conduzem sempre ao bem. Mas poderíamos perguntar qual seria melhor para o avanço da humanidade: dar para todo mundo a mesma oportunidade ou simplesmente exterminar as pessoas fracas e doentes como faziam os nazistas.

O naturalismo carece de uma lei que aplique-se a toda pessoa em todo tempo e à qual podemos apelar para estabelecer uma ordem moral. Nem oferece uma base firme sobre a qual possamos reclamar quando nos sentimos agredidos. O cristianismo, por outro lado, oferece uma moral transcendente que serve tanto para nos proteger quanto para nos restringir.

Os ateístas costumam mencionar que talvez a moral cristã também careça de poder para conduzir a uma vida reta, visto que os cristãos têm feito coisas injustas e até horríveis durante a história. É certo que alguns cristãos fizeram coisas ruins durante a história. Porém, não há nada dentro do cristianismo que nos manda que as façamos. Ao contrário, essas mesmas coisas são condenadas nos ensinamentos cristãos. O cristão que pratica a maldade o faz desobedecendo à sua própria religião. O ateísta, não obstante, pode justificar qualquer conduta porque o homem mesmo chega a ser o único ponto de referência.

O cristianismo não só oferece um conjunto de regras fixas para vivermos de modo moralmente correto, também dá ao homem o poder para conseguir esta vida. O ateísta está sozinho em sua luta para fazer o bem. O Cristão conta com a força do Espírito Santo para obedecer e vencer.

A Questão da Esperança

Alguém uma vez disse: “Enquanto há vida há esperança”. Por algum motivo parece que a maioria dos homens mantém a esperança apesar das circunstâncias. Temos dentro de nós o desejo de ver o bem triunfar sobre qualquer crise atual ou pelo menos ensejamos vê-lo.

Quando consideramos o papel que a experiência humana tem dentro da apologética, devemos dar atenção ao assunto da esperança porque ela encontra rapidamente um lugar em nosso coração. Poucas pessoas ficam totalmente sem esperança. É muito mais comum ver as pessoas colocarem sua esperança em coisas indignas do que ficar sem esperança alguma. Contudo, a presença de esperança até nas situações mais difíceis é uma coisa que quase todos nós temos visto.

Atualmente, porém, a esperança parece estar em notável ausência apesar dos avanços feitos na tecnologia e na ciência. As pessoas ficam procurando alguma coisa em que depositar sua confiança para o futuro.

Durante séculos o mundo ocidental encontrava sua esperança em Deus. Um Deus que estava conduzindo a história humana rumo a um final glorioso. Porém, já no começo do século XIX, o naturalismo tinha tomado conta das universidades e da consciência social moderna.

Dali várias posturas surgiram. Os humanistas seculares foram otimistas e declararam sua esperança na capacidade do ser humano. Eles continuam com esse otimismo apesar de que hoje em dia o avanço na causa da humanidade faz-se por meio do aborto e do suicídio assistido. Educação, raciocínio, ciência e democracia – os deuses do humanismo – até agora não tem nos dado muita razão para nos mostrarmos entusiasmados.

Outros tornaram-se cínicos. Sem nada em que depositar sua confiança, eles abandonaram qualquer esperança que tivessem. Eles não confiam em nada, nem ninguém. Não acreditam que alguém pode ser virtuoso e simplesmente adotaram uma filosofia do desespero. Outros, mais propensos ao lado filosófico, adotaram o existencialismo ateísta que declara que Deus está morto e, com ele, tudo em que outrora o homem baseava sua esperança.

O que podemos dizer sobre uma esperança de vida após a morte? Quando a velhice chega e o velhinho analisa sua vida, será que todos seus labores, lutas, tristezas e vitórias terão sentido? A única coisa que pode oferece o naturalismo é que talvez nossas vidas foram de ajuda para outros. Porém, o naturalismo nem pode sustentar tal esperança. Um universo impessoal mal pode dar recompensas. Ninguém pode predizer o que a futura geração fará com os nossos esforços. Poderíamos até duvidar do valor de ajudar a outros que, segundo o pensamento naturalista, não passam de partículas de pó cósmico como nós mesmos. O naturalismo pode conduzir tanto a um altruísmo beneficente aos mais fracos quanto à aniquilação deles a ao desenvolvimento de uma super-raça humana.

Tampouco o naturalismo tem qualquer coisa a oferecer além do sepulcro. Não existem recompensas. Cada um vive só o melhor possível (segundo seu próprio critério) e morre. Porém, nós continuamos esperando alguma coisa mais. O Cristianismo afirma que a esperança encontra-se em Jesus Cristo (1 Tm 1.1). Demos uma olhada na resposta do cristianismo a respeito disso.

A Resposta encontra-se em Jesus Cristo

Uma das vantagens de falar em significância, moralidade e esperança quando defendemos a fé cristã é que isso nos conduz diretamente à mensagem do evangelho. Nossa significância está arraigada na existência de um Deus criador que está agindo ativamente em nosso meio. A moral objetiva e duradoura, à qual todos estamos sujeitos, tem sua fonte nos atributos e natureza do próprio Deus. Este Deus criador mandou seu Filho amado para nos dar a esperança, o perdão e uma vida nova.

Antes de proceder, é mister responder a algumas possíveis objeções. A primeira é que apelando à experiência humana quando defendendo a fé, poderíamos parecer estar “vendendo” a fé aos descrentes como se fosse um produto para um consumidor. Outra objeção é que tais assuntos como significância e esperança são subjetivos. Apelando a tais “evidências” poderíamos levar a discussão a áreas não racionais e inválidas.

Podemos evitar esses problemas concentrando-nos nas áreas que são universais. Áreas que tratam de assuntos comuns entre todos os seres humanos por pertencerem à raça humana. O desejo por uma ordem moral é subjetivo e interno e é um desejo sentido por todos. A fé é subjetiva, mas é algo que todos aparentemente precisamos para continuar vivendo. Todo mundo também quer sentir que sua vida é significante.

O Que a Bíblia Diz a Respeito

Lembremos que uma das perguntas incluídas no assunto da significância era: “De onde eu venho?” João 1.1-3, Colossenses 1.16-17 e Hebreus 1.2 ensinam que fomos criados por Deus através de Jesus Cristo. Além disso, sabemos, dos exemplos de Davi e Jeremias, que Deus nos conhece pessoalmente (Salmos 139.13-16 e Jeremias 1.5). Estes versículos mostram que nossa vida tem significância e propósito.

A pergunta se nosso dia-a-dia tem algum sentido é respondida pelo conhecimento de que Deus está cumprindo seus propósitos em nossas vidas (Fl 2.12-13; Rm 8.28 e 11.17; Ef 1.11).

Finalmente, às perguntas sobre propósito e o que devemos estar fazendo, a Bíblia nos diz que temos de obedecer aos mandamentos de Deus (João 14.23,24 e 1 João [o livro inteiro]), e que eu devo participar no trabalho de Deus fazendo as coisas que Ele me tem dado a particular (João 13.12-17; Ef 2.10; 1 Pedro 4.10).

Além disso, os atos nobres dos homens e também as atrocidades de guerra têm sua explicação, por um lado, no fato de que somos criados à semelhança de Deus e, por outro lado, que somos corrompidos pelo pecado. Somos criaturas de Deus e temos uma percepção do bem e do mal. Também na cosmologia cristã encontramos a razão de nossos sentimentos de culpa e nossa necessidade de perdão.

Às vezes esquecemo-nos desses pontos importantes em nosso evangelismo. Um teólogo disse que hoje em dia nós falamos muito em vida nova e pouco na justificação pela fé em Cristo. As pessoas sabem que cometem erros e pecados e estão procurando ser livres deste peso. Alguns o procuram por negar a existência de morais absolutas. Acham que somente sendo fieis a si mesmas, livrar-se-ão do sentido de culpa. Na prática isso não dá certo. Sentimos-nos injustiçados quando alguém que está sendo fiel a si mesmo faz alguma coisa prejudicial a nós. Nós também sabemos que outros têm razão quando se queixam de uma coisa injusta que nós temos feito. Nossa indignação pelas ações e palavras de outros mostra que de alguma forma cremos na existência de uma moral absoluta que vale para todos. O naturalismo não tem mecanismos para tratar esses assuntos. Porém Jesus tem, sim.

Já falei no assunto da esperança. Para os Apóstolos Paulo e Pedro, a esperança se encontra na ressurreição de Jesus Cristo. (Atos 23.6; 24.14-15; 1 Pedro 1.3). Nossa esperança é a vida eterna (Tito 1.2; 3.7), e a ressurreição de Cristo dentre os mortos é evidência concreta de que a promessa de vida eterna é segura. Foi com essa certeza, que têm os cristãos, que Paulo disse que os gentios sem Cristo estão sem esperança e sem Deus no mundo (Ef 2.12).

A esperança que temos não é coisa visível (Rm 8.24-25) senão que ela nos espera lá no céu (Cl 1.5). Porém ela é o motivo de nós termos gozo e alegria atualmente (Rm 12.12). Nossa esperança é fortalecida quando lembramos o que Deus fez no passado e quando perseveramos em Cristo (Rm 15.4). À medida que cresce nossa fé e nós experimentamos o gozo que Jesus nos dá, nossa esperança cresce (Rm 15.13). Em vez de colocar nossa fé em riquezas (1 Tm 6.17), a colocamos no Deus que não pode mentir (Tito 1.2).

Em conclusão, vemos que as perguntas de significância, moral e esperança têm sua resposta em Cristo Jesus. Essas verdades, fortalecidas pela sólida lógica da fé cristã, podem fazer parte de nossa defesa da esperança que há em nós. Apesar de a verdade não estar sujeita à experiência humana, as experiências correntes de todo ser humano nos dão um ponto de contato para compartilhar o evangelho. Até se esses assuntos não persuadem por si mesmos, podem pelo menos mostrar que o Cristianismo tem algo relevante para oferecer a todas as pessoas. Amém.

01 fevereiro 2005

Separação entre estado e igreja

Escrito por Kerby Anderson, traduzido por Allan Ribeiro

Muro de Separação

Quando Thomas Jefferson primeiro usou a expressão “muro de separação”, é certo que ele nunca imaginou a controvérsia que cerca o termo dois séculos mais tarde. A metáfora tornou-se tão poderosa que há mais americanos familiarizados com a frase de Jefferson do que com o verdadeiro texto da constituição americana (1).

Em certo sentido, a idéia de separação entre igreja e estado é uma descrição precisa do que deve ocorrer entre as duas instituições. A história está cheia de exemplos (i.e. a Inquisição) dos perigos que surgem quando as instituições da igreja e do estado tornam-se entrelaçadas.

Mas o conceito contemporâneo de separação entre igreja e estado vai muito além do reconhecimento de que as duas instituições devem ser separadas. A versão atual desta expressão veio a significar que deveria haver uma separação completa entre a vida pública e a religião.

Em princípio, nós devemos estabelecer o óbvio: a frase “separação entre igreja e estado” não está na Constituição. Embora esta deva ser uma afirmação óbvia, é incrível quantos cidadãos (inclusive advogados e políticos) não sabem deste simples fato.

Já que a frase não está na Constituição e nem mesmo é discutida significativamente pelos autores (ex. Artigos da Confederação), está aberta a uma ampla interpretação e à má-interpretação. A única declaração clara acerca de religião na Constituição pode ser encontrada na Primeira Emenda e nós examinaremos a sua história legislativa adiante neste artigo.

Thomas Jefferson usou a expressão “separação entre igreja e estado” quando escreveu para a Associação Batista de Danbury em 1802. Então a frase caiu na obscuridade. Em 1947, o juiz da Suprema Corte Hugo Black, a ressuscitou no caso Everson x Comissão de Educação. Ele escreveu que a Primeira Emenda “foi planejada para erigir um muro de separação entre a igreja e o estado.” Ele acrescentou que este muro “deve ser mantido alto e inexpugnável”.

A metáfora do muro ressuscitada pelo juiz Black tem sido mal-usada desde então. Por exemplo, o muro de separação tem sido usado para argumentar que praticamente qualquer atividade religiosa (oração, leitura da Bíblia, momento de silêncio) e qualquer símbolo religioso (cruz, presépio, Dez Mandamentos, etc.) não são permissíveis fora da igreja e de casa. A maioria dessas atividades e símbolos tem sido extirpada de locais públicos. Como veremos, não parece que Jefferson tenha pensado em nada do tipo com a sua metáfora.

Também é digno de nota que seis dos treze estados [americanos] originais tinham igrejas patrocinadas pelo estado. Alguns estados (Connecticut, Georgia, Maryland, Massachusetts, New Hampshire, e Carolina do Sul) até mesmo recusaram-se a ratificar a nova constituição a não ser que ela incluísse uma proibição do envolvimento federal com as igrejas dos estados.

História da Frase (parte um)

Então, qual era o sentido da “separação entre igreja e estado” e como isso mudou? É necessário um pouco de história aqui.

A campanha presidencial de 1800 foi uma das eleições presidenciais mais asperamente contestadas da história americana. O republicano Thomas Jefferson derrotou o federalista John Adams (que havia sido vice-presidente de George Washington). Durante a campanha, os federalistas atacaram as crenças religiosas de Jefferson, argumentando que ele era um “ateu” e um “infiel”. Alguns tinham tanto medo de Jefferson na presidência que enterraram as Bíblias da família ou as esconderam em paredes, temendo que o presidente Jefferson as fosse confiscar (3). Timothy Dwight (presidente da universidade Yale) chegou a alertar alguns anos antes que, se Jefferson fosse eleito, nós poderíamos ver a Bíblia lançada em uma fogueira.”(4). Essas preocupações eram infundadas, já que Jefferson tinha escrito bastante nas duas décadas anteriores sobre o seu apoio à liberdade religiosa.

Em meio a essas preocupações, os republicanos leais da Associação Batista de Danbury escreveram ao presidente parabenizando-o por sua eleição e por sua dedicação à liberdade religiosa. O presidente Jefferson usou a carta como uma oportunidade para explicar por que ele não decretava dias de oração pública e de ação de graças, como Washington e Adams haviam feito antes dele.

Em sua carta a eles no dia de Ano Novo de 1802, Jefferson concordou com o desejo deles por liberdade religiosa dizendo que a fé religiosa era um assunto entre Deus e o homem. Jefferson também afirmou sua crença na Primeira Emenda e continuou dizendo que ele acreditava que a Primeira Emenda negava ao Congresso (ou ao presidente) o direito de ditar as crenças religiosas. Ele argumentou que a Primeira Emenda negava ao governo federal este poder, “desta forma erguendo um muro de separação entre igreja e estado.”.

Parece que a frase de Jefferson realmente veio da eleição de 1800. Ministros federalistas falaram contra Jefferson “geralmente de seus púlpitos, denunciando violentamente seu paganismo e deísmo” (5). Os republicanos, deste modo, argumentaram que clérigos não deveriam pregar sobre política, mas manter a separação entre as duas coisas.

Nós podemos acrescentar que um século e meio antes de Jefferson escrever aos batistas de Danbury, Roger Williams havia erguido uma “cerca ou muro de separação” em um folheto que ele escreveu em 1644. Williams usou a metáfora para ilustrar a necessidade de proteger a igreja do mundo, ou o jardim da igreja se transformaria em um deserto (6). Conquanto seja possível que Jefferson tenha tomado a metáfora emprestado de Roger Williams, parece que Jefferson não estava familiarizado com o uso de Williams da metáfora (7).

Jefferson usou sua carta aos batistas de Danbury para marcar um ponto-chave sobre seu poder executivo. Em sua carta, ele argumentou que o presidente não tinha autoridade para proclamar um feriado religioso. Ele acreditava que a autoridade governamental pertencia somente a estados individuais. Essencialmente, o muro de separação de Jefferson aplicava-se somente ao governo nacional.

História da Frase (parte dois)

Embora a carta de Danbury tenha sido publicada em jornais, a metáfora do “muro de separação” nunca obteve maiores atenções e essencialmente caiu na obscuridade. Em 1879 a metáfora entrou para o léxico da lei constitucional americana no caso Reynolds x Estados Unidos. A corte declarou que a carta de Jefferson “Pode ser aceita quase como uma declaração oficial do escopo e efeitos da (Primeira) Emenda assim assegurada” (8). Embora não tenha havido menção nesta opinião, há boas evidências para se crer que a metáfora de Jefferson não “desempenhou qualquer papel” na decisão da Suprema Corte (9).

Em 1947, o juiz Hugo L. Black ressuscitou a metáfora do muro de Jefferson no caso Everson x Comissão de Educação. Ele aplicou esta frase de uma maneira diferente de Thomas Jefferson. Black disse que a Primeira Emenda “foi concebida para erigir um muro de separação entre igreja e estado”. Ele acrescentou que este muro “deve ser mantindo alto e inexpugnável” (10).

Daniel Dreisbach, autor de Thomas Jefferson and the Wall of Separation Between Church and State [Thomas Jefferson e o Muro de Separação Entre Igreja e Estado], mostra que o muro de Black difere do muro de Jefferson. “Embora o juiz Black tenha dado crédito ao terceiro presidente pela construção do ‘muro de separação’, a barreira levantada no caso Everson diverge da de Jefferson na função e na localização” (11).

O muro levantado pelo juiz Black é “alto e inexpugnável”. Por outro lado, Jefferson ocasionalmente baixava o ‘muro’ se haviam circunstâncias atenuantes. Por exemplo, ele aprovou tratados com tribos indígenas em que subscreveu a ‘propagação do Evangelho entre os pagãos’”(12).

Há também uma diferença na localização dos dois muros. Enquanto o “muro” de Jefferson separava explicitamente as instituições da igreja e do estado, o muro de Black, mais expansivamente, separa a religião e todo o governo civil em todos os níveis – federal, estadual e local (13).
A metáfora de Jefferson era uma declaração sobre o federalismo (o relacionamento entre o governo federal e os estados). Mas Black a transformou em um muro entre a religião e o governo (que, por causa da incorporação da Décima-quarta Emenda, também poderia ser aplicada aos governos estaduais e locais).

Primeira Emenda

Como foi que nós obtivemos a redação da Primeira Emenda? Uma vez que entendamos a sua história legislativa, nós podemos entender a perspectiva daqueles que planejaram a Bill of Rigths [Carta dos Direitos] (14).

James Madison (arquiteto da constituição) é um dos primeiros a propor a redação do que viria a se tornar a Primeira Emenda. Em 8 de junho de 1789, Madison propôs o seguinte:
“Os direitos civis de ninguém podem ser reduzidos por causa de crenças religiosas ou de culto, nem deverá qualquer religião nacional ser estabelecida, nem deverão direitos de consciência plenos e igualitários ser, de qualquer modo, ou por qualquer pretexto, infringidos”.

Os representantes debateram essa redação e então encaminharam a tarefa para uma comissão, formada por Madison e dez outros membros do Congresso. Eles propuseram uma nova versão que dizia:

“Nenhuma religião deverá ser estabelecida pela lei, nem deverão ser infringidos os direitos igualitários de consciência”.

Esta redação foi debatida. Durante o debate, Madison explicou “Ele entendeu o sentido das palavras como sendo que o Congresso não poderia estabelecer uma religião e impor a observância legal dela por lei, nem forçar os homens a adorar a Deus de qualquer modo contrário a suas consciências”.

O representante Benjamim Hutington reclamou que a redação proposta poderia “ser levada a tal latitude que viesse a se tornar extremamente danosa para a causa da religião”. Então Madison sugeriu inserir a palavra “nacional” depois da palavra “religião”. Ele acreditava que isso iria reduzir os temores daqueles preocupados como o estabelecimento de uma religião nacional. Afinal, alguns estavam preocupados que a América pudesse vagar em direção à Europa, onde os países têm uma religião estatal, as quais os cidadãos eram frequentemente obrigados a aceitar a até mesmo a financiar.

O representante Gerry implicou com a palavra “nacional”, porque, argumentou ele, a Constituição criou um governo federal, não nacional. Então Madison retirou sua última proposta, mas assegurou ao Congresso que sua referência a uma “religião nacional” tinha a ver com um sistema religioso nacional, não com um governo nacional.

Uma semana depois, a Casa alterou novamente a redação para:

“O Congresso não deverá fazer qualquer lei com relação ao estabelecimento de religiões, ou proibir o livre exercício delas”.

Como podemos ver, o Congresso estava tentando evitar o estabelecimento de uma religião nacional ou de uma igreja nacional com o seu esboço da Primeira Emenda.

Separação, Patrocínio e Acomodação

Como o governo deveria se relacionar com a igreja? Deveria haver uma separação entre igreja e estado? Essencialmente há três respostas a essas perguntas: separação, patrocínio e acomodação.

Em um lado do espectro de opiniões está a separação estrita entre igreja e estado. Proponentes desta posição advogam a separação completa de qualquer atividade religiosa (oração, leitura bíblica) e qualquer símbolo religioso (cruz, os Dez Mandamentos) de prédios do governo. Richard John Neuhaus chamou isso de “a praça pública despida” porque os valores religiosos são arrancados da arena pública (15).

Proponentes desta visão se opõem a qualquer benefício direto ou indireto à religião ou a organizações religiosas por parte do governo. Isso incluiria se opor a bolsas pagas com dinheiro dos impostos, crédito educacional e distribuição de fundos governamentais para organizações baseadas na fé.

Do outro lado do espectro haveria o patrocínio de organizações religiosas. Os proponentes apoiariam a oração nas escolas, a leitura bíblica em escolas públicas, e a exibição dos Dez Mandamentos nas salas de aulas e locais públicos. Os proponentes também apoiariam a distribuição de bolsas pagas com dinheiro dos impostos, crédito educacional e distribuição de fundos governamentais para organizações baseadas na fé.

Entre essas duas visões está a acomodação. Proponentes argumentam que o governo não deveria patrocinar a religião e nem ser hostil à religião. O governo pode acomodar atividades religiosas. O governo deve prover proteção para a igreja e garantir a livre expressão da religião. Mas o governo não pode favorecer um grupo em particular ou uma religião em detrimento das outras.
Os proponentes se opõem ao apoio governamental direto de escolas religiosas, mas poderiam apoiar a distribuição de créditos educacionais desde que os pais fossem livres para usar o crédito em escolas públicas, privadas ou cristãs. Os proponentes se opõem à oração obrigatória nas escolas, mas apóiam programas que ofereçam acesso igualitário aos estudantes. Acesso igualitário significa que se os estudantes tiverem permissão para iniciar um clube de debates ou um clube de xadrez no campus, eles também devem ter permissão para ter um clube bíblico.
Nós devemos rejeitar a idéia de uma “praça pública despida” (em que os valores religiosos tenham sido arrancados da arena pública). E nós devemos igualmente rejeitar a idéia de uma “praça pública santa” (em que as idéias religiosas são patrocinadas pelo governo). Nós devemos buscar uma “praça pública aberta” (em que o governo nem censura e nem patrocina a religião, mas acomoda a religião).

O governo não deveria ser hostil à religião, mas tampouco deveria patrocinar a religião ou favorecer uma fé em particular em detrimento das outras. O governo deve manter uma neutralidade benevolente com relação à religião e acomodar as atividades e símbolos religiosos.

Notas
1. Barbara Perry, "Justice Hugo Black and the Wall of Separation between Church and State," Journal of Church and State 31(1989): 55.
2. Everson v. Board of Education, 330 U.S., 16, 18.
3. Dumas Malone, Jefferson and His Time, vol. 3, Jefferson and the Ordeal of Liberty (Boston: Little, Brown, 1962), 481.
4. Timothy Dwight, The Duty of Americans, at the Present Crisis, reprinted in Ellis Sandoz, ed., Political Sermons of the American Founding Era, 1730-1805 (Indianapolis, IN: Liberty Press, 1991), 1382.
5. Philip Hamburger, Separation of Church and State (Cambridge, MA: Harvard University Press, 2002) 111.
6. Roger Williams, "Mr. Cotton's Letter Lately Printed, Examined and Answered," in The Complete Writings of Roger Williams (Providence, RI: Providence Press, 1866), 1:392.
7. Edwin Gaustad, Sworn on the Altar of God: A Religious Biography of Thomas Jefferson (Grand Rapids, Mich.: William B Eerdmans, 1996), 72.
8. Reynolds v. United States, 98 U.S. 145, 164.
9. Robert M. Hutchins, "The Future of the Wall," in The Wall between Church and State, ed. Dallin H. Oaks (Chicago: University of Chicago Press, 1963), 17.
10. Everson v. Board of Education, 330 U.S., 16, 18.
11. Daniel Dreisbach, Thomas Jefferson and the Wall of Separation Between Church and State (New York: New York University Press, 2002), 125.
12. Derek H. Davis, "Wall of Separation Metaphor," Journal of Church and State, vol. 45(1), Winter 2003.
13. Dreisbach, Thomas Jefferson, 125.
14. The details of the debate on the First Amendment can be found in the Annals of Congress. The Debates and Proceedings in the Congress of the United States. "History of Congress." 42 vols. Washington, D.C.: Gales & Seaton, 1834-1856.
15. Richard John Neuhaus, The Naked Public Square: Religion and Democracy in America (William B. Eerdmans Publishing Co., 1984).

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Sobre o Autor
Kerby Anderson é diretor nacional de Probe Ministries International. Ele recebeu sua graduação (Bacharel em Ciências) na Oregon State University, mestrado em ciências pela Yale University, e em teologia pela Georgetown University. Ele é o autor de vários livros, incluindo Genetic Engineering [Engenharia Genética], Origin Science [Ciência da Origem], Living Ethically in the 90s [Vivendo Eticamente nos Anos 90], Signs of Warning, Signs of Hope, Moral Dilemmas [Sinais de Alerta, Sinais de Esperança, Dilemas Morais], e Christian Ethics in Plain Language [Ética Cristã em Linguagem Direta]. Ele também serviu como editor geral da Kregel Publications nos livros Marriage, Family and Sexuality [Casamento, Família e Sexualidade] e Technology, Spirituality, & Social Trends [Tecnologia, Espiritualidade e Tendências Sociais]. Ele é um colunista nacional, cujos editoriais tem sido publiados no Dallas Morning News, no Miami Herald, no San Jose Mercury, e no Houston Post. Ele é o anfitrião do programa de rádio "Probe", e frequentemente ajuda como anfitrião em "Point of View" [Ponto de Vista] (USA Radio Network).

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