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15 Janeiro 2005

Os Novos Ateus

Kerby Anderson, traduzido por Allan Ribeiro

Por séculos tem havido um conflito e debate entre os ateus e o cristianismo. Mas o surgimento do que os jornalistas estão chamando de "Os Novos Ateus" representa uma mudança significativa na natureza do debate. "Os Novos Ateus" são parte realidade e parte bordão jornalístico. Ela identifica os novos contendores na batalha em curso entre ciência e religião.

Diferente dos ateus que vieram antes deles e que ficavam satisfeitos em meramente argumentar que o cristianismo não está com a verdade, estes novos ateus agora argumentam que o cristianismo é perigoso. Uma coisa é argumentar contra o erro do cristianismo, mas outra coisa bem diferente é argumentar contra o mal inerente ao cristianismo.

Muitos desses autores têm livros na lista dos mais vendidos do New York Times. Carta a uma Nação Cristã, de Sam Harris é um desses livros entre os dez mais. Ele vai além do argumento tradicional de que o sofrimento no mundo prova que Deus não existe. Ele argumenta que a crença em Deus na verdade causa sofrimento no mundo. Ele diz, "Que tanto deste sofrimento possa ser diretamente atribuído à religião – ao ódio religioso, guerras religiosas, desilusões religiosas e digressões religiosas de parcos recursos – é o que torna o ateísmo uma necessidade moral e intelectual". Ele argumenta que a menos que renunciemos à fé religiosa, a violência religiosa logo irá levar a civilização ao seu fim.

A resposta a esse livro tem sido entusiasmada. Um leitor achou que o livro é "uma maravilhosa fonte de munição para aqueles que, como eu, não têm qualquer doutrina religiosa". Outros adoraram que ele tenha batido no cristianismo. Para eles "foi como estar sentado ao lado do ringue, aplaudindo o campeão, gritando 'Sim!' a cada soco".

Mas os cristãos não são o único alvo de sua crítica. Harris também argumenta que os moderados religiosos e até mesmo os teólogos liberais funcionam como "avalizadores" do cristianismo ortodoxo. O seu livro não é uma crítica somente aos cristãos, mas é um chamado às pessoas tolerantes de centro para que desçam do muro e se juntem à esses novos ateus.

Outro livro popular é A Desilusão de Deus do professor de Oxford, Richard Dawkins. Ele diz que a crença religiosa é psicótica e que argumentos a favor da existência de Deus são bobagem. Ele quer tornar o respeito à crença em Deus socialmente inaceitável.

Ele conclama os ateus a se identificarem entre si como tal e a se juntarem para lutar contra as desilusões da fé religiosa. Ele diz, "O número de pessoas não-religiosas nos Estados Unidos é algo mais próximo a 30 milhões do que a 20 milhões de pessoas. Isso é mais do que todos os judeus do mundo inteiro juntos. Eu acho que estamos na mesma posição em que o movimento gay estava algumas décadas atrás. Havia uma necessidade de que as pessoas se mostrassem".

Como Harris, Dawkins não discorda simplesmente da fé religiosa, mas discorda da tolerância à fé religiosa. Ele argumenta que as pessoas religiosas não deveriam poder ensinar esses "mitos" religiosos a seus filhos, o que Dawkins chama de "colonização dos cérebros dos pequenos inocentes".

Dawkins força a ligação entre evolução e ateísmo. Ele crê que a teoria evolucionista deve logicamente levar ao ateísmo. E ele declara que não irá se preocupar com as conseqüências para as relações públicas em amarrar evolução e ateísmo.

Daniel Dennet é outra figura importante e autor do livro Quebrando o Feitiço: A Religião Como um Fenômeno Natural. Ele não usa a retórica áspera e crítica dos outros, mas ainda assim é capaz de tecer argumentos a favor da sua tese de que a religião deve ser submetida à avaliação científica. Ele crê que "uma educação neutra, cientificamente informada sobre toda religião do mundo deveria ser obrigatória na escola" já que "se você tem que enganar – ou vendar – os seus filhos para garantir que eles confirmem a sua fé quando adultos, a sua fé tem que ser extinta".

Somando-se aos livros dos "Novos Ateus", há um número de outros que têm como alvo os cristãos conservadores. David Kuo escreveu Tentando a Fé, para dizer aos cristãos conservadores que eles foram levados a um passeio pela administração que os ridicularizou por detrás das portas fechadas. Adicione a isso Venha o Reino: O Surgimento do Nacionalismo Cristão, de Michael Goldberg e Venha o Vosso Reino, de Randall Balmer e ainda Teocracia Americana, de Kevin Phillips. Cada um deles colocou as pessoas religiosas bem na sua mira e puxou o gatilho.

Muitos desses livros beiram a paranóia. Considere o livro de James Rudin, O Batismo da América. Em seu primeiro parágrafo ele diz, "Um espectro ronda a América, e não é o socialismo e certamente nem o comunismo. É o espectro do dobrar os joelhos dos americanos em submissão à uma interpretação em particular de uma religião que tem se tornado uma ideologia, um onipresente modo de vida. É o espectro de nossa nação governada pela extrema direita cristã, que gostaria de tornar os Estados Unidos uma 'nação cristã' onde a sua versão da lei de Deus se sobrepõe à todas as leis humanas – inclusive à Constituição. Esta, mais do que qualquer outra força no mundo hoje, é a ameaça imediata e profunda à nossa república".

Esses comentários vão do fanatismo anti-cristão à paranóia anti-cristã. Por favor, me diga quem são esses perigosos cristãos conservadores para que possamos corrigi-los. Eu entrevisto muitos líderes e não ouço sequer uma insinuação a respeito disso. Quando muito, esses líderes querem que os juízes sigam a constituição, não sobrepô-la com outra versão (seja secular ou cristã).

Rudin vai adiante e argumenta que esses líderes cristãos emitiriam uma carteira de identidade nacional onde constasse a crença religiosa de cada um. Novamente, quem são essas pessoas de quem ele está falando? Francamente, eu ainda não encontrei ninguém que quisesse uma carteira de identidade nacional (seja secular ou cristã).

A despeito disso, Rudin sustenta que "tal carteira daria aos cristocratas um tratamento preferencial em muitas áreas da vida, inclusive a propriedade de casas, empréstimos estudantis, empregos e educação". E os censores religiosos nomeados controlariam todo discurso e tornariam fora da lei toda dissensão. Você sabia que nós queremos isso?

Claramente estamos passando para uma época na qual os ateus vêem a religião como cheia de erros e maldade. E os cristãos conservadores estão sendo especialmente discriminados por suas crenças na verdade da Bíblia.

Os cristãos deveriam responder de três maneiras. Primeiro, devemos sempre estar prontos a dar uma resposta pela esperança que há em nós (1 Pedro 3.15) e devemos fazê-lo com mansidão e reverência. Segundo, devemos confiar no poder de Deus para todos aqueles que crêem (Romanos 1.16). Terceiro, devemos viver vidas santificadas perante o mundo, para que possamos (por nosso bom comportamento) silenciar a fala ignorante dos tolos (1 Pedro 2.15).

© 2006 Probe Ministries International

4 comentários:

Anônimo disse...

acredito que esta chegando a hora de que tantas pessoas que ganham com mentiras e empobrecem nossa ciencia sejam desenmascarados por nossos melhores cerebros que tem a humanidade...... um abrazo e força a todos os ateus do mundo que sao os unicos seres cujo cerebro foi afetado pela evoluçao...

Allan Ribeiro disse...

Realmente, querido anônimo,eu não poderia deixar de concordar com você!

Os ateus, que "ganham com mentiras e empobrecem nossa ciência" precisam continuar a ser desmascarados pelos melhores cérebros que tem a humanidade.

O cérebro deles foi certamente afetado pela evolução, mas ainda há esperança!

Anônimo disse...

oh meu querido quando eu me referi aos melhores cerebros obviamente estava-me referindo aos ateus... pq os religiosos tem .... em lugar de massa encefalica dentro de suas cabeças...
tomara que deus mande ao inferno a todos esses religiosos que abusam de pessoas inocentes carentes de uma ajuda sobrenatural..

Allan Ribeiro disse...

Ah, você voltou!

Então o seu cérebro privilegiado não foi capaz de perceber minha ironia?

O que você tem contra os acentos? Você vive em outro país e não tem um teclado adaptado à ABNT?

Mas nós concordamos em um ponto: que Deus mande para o inferno todos esses religiosos que abusam de pessoas, inocentes ou não, carentes ou não!

Digo com isso que há pessoas com fé e pessoas exploradoras da fé alheia. Mas não tomemos a parte pelo todo, pois esta é uma falácia tão antiga que tem até nome.

Obrigado por escrever de novo. Me desculpe pela ironia, é que eu não resisti. O seu primeiro texto estava muito ambíguo e eu quis mostrar isso.