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12 agosto 2006

Equipando os Santos 14 - Podemos Tudo em Nome da Ciência?

Equipando os Santos
edição n° 14 - Teresina, 12/08/2006

Podemos Tudo em Nome da Ciência?

Células-tronco têm sido o assunto da moda na mídia. Junto com o aquecimento global e a guerra do Líbano. A quase todo momento somos informados que pessoas obscurantistas querem impor um monumental atraso à Ciência, privando milhares de pessoas de um tratamento milagroso e toda a humanidade da possibilidade de alcançar o paraíso na terra. Os tais que professam o atraso seriam aqueles com valores religiosos que sempre foram contra o aborto, essa benção da modernidade, e que agora querem impedir as pesquisas com células-tronco. Vamos analisar e descobrir se há alguma falácia nestes argumentos:

Em primeiro lugar devemos nos perguntar se é possível uma ciência desvinculada da ética, de valores. A resposta poderia ser sim se a ciência fosse escrita com "C" maiúsculo. Neste caso estaríamos falando de um ser e poderíamos dizer que a Ciência progride ou se atrasa, cresce ou diminui, obtém benefícios ou prejuízos. No entanto a ciência é só uma palavra usada para designar, teorias, procedimentos e métodos. Por trás dela estão os cientistas, que são pessoas comuns a maior parte do tempo. Se são pessoas, se participam da humanidade, têm valores e são regidos por valores. Neste caso não podemos excluir a ciência do mundo da ética, porque na verdade estaríamos excluindo as pessoas que fazem ciência e isso não é possível.

Em segundo lugar devemos perceber que o caminho para o conhecimento nunca foi fácil. Em todas as épocas os obstáculos existiram e muitas vezes só tornaram os desafios mais interessantes, embora que tenham adiado os resultados. Vejamos o caso das Testemunhas de Jeová (veja outra referência às Testemunhas de Jeová no artigo "Conversa com um Muçulmano", abaixo), cuja interpretação da Bíblia não lhes permite receber transfusões de sangue. Sua tenacidade em manter este princípio aparentemente representa um atraso e uma derrota para os cientistas e médicos. A realidade, no entanto é outra. Por causa deles muitos procedimentos cirúrgicos e técnicas têm sido desenvolvidos para garantir a vida de pessoas que não podem ou não querem ser submetidas a transfusões. O resultado tem sido benéfico para toda a humanidade, já que se evita a transmissão de doenças relacionadas ao sangue.

Os limites éticos que as pessoas religiosas têm procurado impor à ciência são incômodos porque lembram que a realidade não é somente material. O mundo espiritual não pode e nem deve ser ignorado, pois neste caso sim, o custo seria muito elevado.

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Os artigos desta edição falam exatamente dos outros dois assuntos descritos no primeiro parágrafo. O primeiro fala do aquecimento global, que tem surgido nas capas e manchetes de modo aterrorizador. O outro não trata da guerra do Líbano, mas ajuda a entendê-la: é uma conversa entre um cristão e um muçulmano. Por último, um artigo surpreendente do jurista americano Alan Dershowitz que saiu na Veja de duas semanas atrás. A partir do próximo número estaremos publicando uma série de quatro excelentes artigos de James Choury usando a lógica para explicar porque o Design Inteligente é a melhor explicação para a origem da vida.

Deus abençoe você!
Allan Ribeiro

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O Que é Aquecimento Global?

[Read this article in English]

Nos últimos meses, e desde as eleições [americanas] de 2000, temos sido bombardeados com notícias sobre aquecimento global. Infelizmente este assunto tem se tornado altamente polarizado politicamente. Alguns cientistas e políticos crêem que o aquecimento tem sido completamente documentado como tendo sido causado por interferência humana e medidas drásticas são necessárias para colocar a situação sob controle, enquanto outros corajosamente sustentam que nada foi provado e que medidas drásticas iriam arruinar nossa economia sem motivo algum. O que devemos pensar?

Primeiro deixe-me dizer no início deste artigo que eu tenho sido o que alguns chamariam de um ambientalista desde o ensino médio. Eu coopero totalmente com o programa de reciclagem oferecido por minha cidade: coletando todos os jornais, vidros, latas de alumínio e certos plásticos para serem recolhidos semana sim, semana não. Eu não compro pratos ou copos de isopor, já que não podem ser reutilizados e nem são biodegradáveis.

Eu tenho sido há muito tempo um entusiasta da natureza, anteriormente como um ávido observador e alimentador de pássaros. Zoológicos têm sido desde sempre uma atração para mim, mas ainda melhores são as oportunidades de ver as criaturas de Deus em seu habitat natural. Uma caminhada pela floresta é preferível [para mim] a uma pela rua, mesmo sem trânsito.

Eu dirijo um carro pequeno e econômico e, tão logo seja possível para minha família financeiramente, eu pretendo adquirir um desses novos carros movidos tanto à eletricidade quanto à gasolina, os quais rodam cerca de 96 km com um galão [3,8 litros].

Eu penso que a mordomia da criação de Deus é uma coisa boa e eu acho que nós (os humanos, quero dizer) temos geralmente buscado nossas próprias necessidades em prejuízo desnecessário do resto da criação. Então, com isto como pano de fundo, o que eu penso sobre aquecimento global? Temo que a minha posição não satisfará totalmente nenhum dos extremos mencionado antes. Porque eu não penso que o aquecimento global exija as ações drásticas que estão sendo propostas pelas Nações Unidas e Grupo Intergovernamental para Mudanças no Clima [IPCC, na sigla em inglês]. Mas tampouco eu creio que os sinais do aquecimento global podem ser completamente ignorados, como alguns economistas e políticos conservadores querem nos fazer pensar.

Por exemplo, parece que há evidências plausíveis de que o gelo ártico e antártico estão desaparecendo, que a maioria dos glaciáres ao redor do mundo está recuando e que o nível do mar está subindo. A questão mais importante, no entanto, é se o aquecimento global é responsável por esses eventos. E, talvez até mais importante, o que pode ser feito realisticamente a respeito mesmo se o aumento da temperatura global for, mesmo que parcialmente, responsável por essas tendências perturbadoras?

Neste artigo eu estarei examinando as evidências da influência do componente humano no aumento da temperatura e se as soluções propostas pelo IPCC são os melhores meios de efetivamente trazer uma mudança para o futuro.

O Aquecimento Global e o Protocolo de Kyoto

O assunto do aquecimento global tem se tornado um pára-raios [atraindo atenções] em todo o mundo. Quando o presidente Bush indicou recentemente que iria se abster de estabelecer limites para a capacidade das usinas de força dos EUA, grupos de ambientalistas em todo o mundo imediatamente o demonizaram. Uma campanha foi posta em movimento para inundar a Casa Branca com e-mails condenando seu ato.

Para ajudar a entender este assunto, vamos investigar o básico sobre o efeito estufa em nosso planeta e ver porque toda esta agitação. O efeito estufa em nosso planeta simplesmente refere-se à habilidade de alguns gases em nossa atmosfera em absorver e manter calor melhor que outros. Isto cria uma capa aquecedora em torno da terra sem a qual a vida seria muito mais difícil para todas as formas de vida na terra.

É semelhante ao efeito produzido pelas verdadeiras estufas com paredes e teto de vidro. O vidro permite que certos comprimentos de onda de luz e radiação entrem, mas impede certos outros de sair. Deixe o seu carro ao sol, mesmo em um dia agradável e você pode mais tarde entrar no carro e sentir o vapor escaldante. Este é o efeito estufa.

É de grande preocupação hoje o fato de que alguns gases-estufa, como o dióxido de carbono, estão aumentando na atmosfera e a temperatura média da terra ao nível do mar aumentou um grau Fahrenheit desde 1900 (0.5 grau Celsius). Muitos têm se convencido de que o aumento do dióxido de carbono e o aumento na temperatura são causa e efeito respectivamente.
Além disso, muitos crêem que o aumento de dióxido de carbono é devido à queima de combustíveis fósseis. Alguns modelos climáticos globais feitos por computador prevêem que este é apenas o início da elevação das temperaturas globais e que até o fim do século 21, a temperatura média global poderia se elevar até sete graus Fahrenheit (3.5 graus Celsius). Como resultado, a Convenção Estrutural das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, baseada no trabalho do Grupo Intergovernamental para Mudanças no Clima, editou o Protocolo de Kyoto em dezembro de 1997.

Traduzindo em miúdos, o protocolo de Kyoto propõe que todas as nações signatárias reduzam suas emissões de combustível fóssil em pelo menos 5% abaixo dos seus níveis estimados em 1990 até 2010. À maioria das nações na verdade foi determinado fazer reduções de 7 a 8 por cento, inclusive aos Estados Unidos. Isto não parece muito à primeira vista. Contudo, é amplamente reconhecido que com o crescimento da economia dos Estados Unidos desde 1990, isto significaria uma redução real de 30 por cento no uso de combustível fóssil até 2010. Para alcançar uma redução tão drástica seriam necessárias importantes mudanças na política energética dos Estados Unidos e na economia. Seria bom então termos certeza de que isso vale a pena.

A seguir examinaremos a ciência do aquecimento global.

Problemas Científicos com o Aquecimento Global

Agora eu quero discutir alguns dos problemas com as evidências científicas que pretendem mostrar que o dióxido de carbono produzido pelo homem seja responsável pelo aquecimento global [1]. Como eu mencionei antes, níveis de dióxido de carbono estão aumentando na atmosfera e estações terrestres estão mostrando um leve aquecimento neste século. Muitos crêem que o aumento do dióxido de carbono tem causado a ligeira elevação na temperatura, e eles temem que isto seja apenas o modesto começo de elevações de temperatura mais significativas no século 21. Eu creio que há muitas razões para duvidar fortemente dessa conclusão.

Primeiro precisamos considerar a influência de tendências a longo prazo. A última era do gelo acabou cerca de 11.000 anos atrás segundo a maioria das estimativas, e o planeta tem se aquecido desde então. O nível do mar tem subido à taxa de 7 a 8 polegadas (17.78 a 20.32 centímetros) a cada 100 anos. Assim, o fato de que o nível do mar está subindo não é necessariamente devido ao aquecimento global causado pelo homem. Há uma significativa tendência ao aquecimento desde por volta de 900 a.D. até 1300 a.D.. A Groenlândia teve na verdade uma costa verdejante em certa época. A isto se seguiu o que é conhecido como a "Pequena Era do Gelo" entre 1456 a 1850. Estas duas tendências ocorreram sem a influência humana e a atual tendência ao crescimento poderia ser somente uma estabilização desta última Pequena Era do Gelo.

Eu já mencionei que a tendência ao aquecimento foi detectada a partir de bases terrestre. Esta distinção tem que ser feita porque há informações conflitantes de balões atmosféricos e de satélites. O aquecimento mais significativo foi medido nas últimas duas décadas. Contudo a temperatura da atmosfera tem permanecido constante pelos últimos vinte anos.

Como é possível que a temperatura do solo aumente e a temperatura atmosférica permaneça a mesma? Para ser honesto, ninguém sabe com certeza, mas há evidencia de que as temperaturas tomadas no chão estão erradas. Isto poderia se dever ao que é conhecido como o efeito ilha de calor. Já se percebeu que as temperaturas urbanas medidas têm aumentado mais rápido do que as temperaturas rurais. O concreto, asfalto, fábricas, veículos a motor e a densidade demográfica das grandes cidades podem estar influenciando essas leituras e resultando em uma falsa tendência ao aquecimento.

Se a tendência ao aquecimento for real, pode haver outro fator significativo envolvido que não tem nada a ver com a interferência humana: o sol. Medições da atividade solar em termos da duração dos ciclos de manchas solares mostram uma forte correlação com as temperaturas globais nos últimos 100 anos: incluindo a elevação de 1920-1940, a queda entre 1940 e 1980 e a elevação nos últimos vinte anos.

Todas essas informações parecem indicar que o aquecimento global, se existe realmente, não é provável que seja devido à ação humana.

Os Efeitos Econômicos do Protocolo de Kyoto

Saber que o conhecimento [deste fato] é altamente questionável levanta sérias preocupações acerca do Protocolo de Kyoto, o qual pede uma redução de pelo menos 30 por cento no uso de combustíveis fósseis até 2010. Não só esta drástica redução é desnecessária para combater o aquecimento global como os seus efeitos para a economia dos Estados Unidos seriam catastróficos.

Primeiro deixe-me demonstrar que um certo aquecimento não é uma coisa ruim. É largamente reconhecido que um aumento no dióxido de carbono é bom para as plantas. Elas crescem mais rápido e precisam de menos água. Um período de crescimento um pouco maior tampouco é uma coisa negativa. Não é simplesmente factível sugerir que o aquecimento global seja responsável pelo aumento na severidade do clima, incluindo furacões, tornados, enchentes e secas. Tempestades, em particular, não têm demonstrado nenhum aumento em freqüência nem intensidade.

John Christy, professor de ciência atmosférica na Universidade do Alabama e um dos autores líderes do relatório do IPCC, disse, "Os furacões não estão aumentando, tornados não estão aumentando, tempestades e secas não mostram nenhum padrão de aumento ou diminuição.... variações no clima sempre aconteceram, mesmo quando os seres humanos não poderiam ter tido nenhum impacto." [2].

Além dessas observações está a compreensão de que a implementação do Protocolo de Kyoto teria sérias conseqüências econômicas. Nosso próprio U.S. Energy Information Administration [Administração de informação Sobre Energia] (EIA) diz que Kyoto poderia drenar mais de 340 bilhões de dólares por ano da economia americana (1.500 dólares por pessoa), dobrar os preços da eletricidade e fazer com que o preço por galão suba 65 centavos de dólar para a gasolina, 88 centavos para o diesel e 90 centavos para o óleo para aquecimento doméstico. O que é mais significativo a respeito destes aumentos no preço da energia é que eles afetariam mais severamente famílias de baixa-renda. Famílias de classe alta e média podem trocar de recursos para satisfazer os crescentes custos com energia com mais facilidade do que os pobres ou os idosos com renda fixa. Ainda assim, ninguém fala nisto.

O EIA também calcula que o tratado de Kyoto poderia custar 3.2 milhões de empregos aos americanos. Um estudo exaustivo comissionado por uma coalizão de grupos de pequenos empresários concluiu que 1.4 milhões daqueles que perderem o emprego estariam em nossas comunidades de negros ou hispânicos. Uma média da renda anual das famílias nessas comunidades diminuiria entre 2.000 e 3.000 dólares sob Kyoto [3].

O que é mais desconcertante é que todo o impacto econômico daria essencialmente em nada, porque não somente a noção de que a causa do aquecimento global é humana é suspeita, mas mesmo que o Protocolo de Kyoto seja seguido, isso ainda resultaria em menos da metade de um grau de redução da temperatura global até 2050. Parece que dificilmente valeria o esforço.

O Que Faremos, Então?

Após explorarmos a questão do aquecimento global, descobrimos que o conhecimento em que se baseia é questionável na melhor das hipóteses e que o impacto econômico desnecessariamente severo, particularmente para famílias em minorias e pequenos negócios. Isto poderia levantar uma questão na mente de algumas pessoas: por que isso está sendo empurrado tão acriticamente pelos outros governos do mundo e pela mídia?

Bem, a primeira pista vem de uma leitura atenta da lista de nações signatárias do próprio Protocolo de Kyoto. Alguns países como a Federação Russa devem simplesmente manter suas emissões a níveis de 1990, sem redução. Países da América Latina, Ásia, África e Polinésia, inclusive a China e Índia não estão nem mesmo na lista (exceto o Japão)! A razão é que esses países ainda estão desenvolvendo suas economias e necessitarão de energia sem restrições. No entanto, à medida que essas nações populosas crescem economicamente, elas podem muito bem exceder as emissões das nações ocidentais somadas.

Implicitamente isto afirma a necessidade de combustíveis fósseis para economias ricas. Este tratado pode ser pouco mais que um imposto sobre as nações ocidentais, não uma política para mudanças globais. O falecido Aaron Wildavsky, professor de política da ciência na UC Berkeley, escreveu, "O aquecimento (e o aquecimento somente), através de seu antídoto primário de retirar carbono da produção e consumo, é capaz de realizar o sonho dos ambientalistas de uma sociedade igualitária baseada na rejeição do crescimento econômico em favor de uma população menor, comendo menos na cadeia alimentar, consumindo muito menos e compartilhado um nível muito menor de recursos muito mais igualitariamente." [4].

Eu não creio que todas essas coisas sejam ruins em si mesmas. Mas eu não gosto da idéia de ser forçado a entrar nisso em nome de evitar mudanças climáticas. Uma reportagem de capa da revista Time, tirando a parte totalmente típica e irresponsável da promoção do medo através do mito do aquecimento global induzido pelo homem, na verdade forneceu algumas sugestões de bom senso para se ter uma atitude responsável com relação ao meio-ambiente e ainda poupar recursos e dinheiro [5].

Entre elas está lavar sua louça somente quando a lavadora estiver cheia, trocar os filtros dos condicionadores de ar e aquecedores regularmente e ajustar o termostato para uma temperatura um pouco mais alta no verão e mais baixa no inverno. Você pode também ajustar o seu aquecedor de água para não mais de 49° C; isso economiza dinheiro e é mais seguro. Experimente usar chuveiro de baixo fluxo para usar menos água quente e lavar roupas com água morna ou fria [ao invés de quente]. A maioria dos detergentes hoje em dia limpa muito bem em temperaturas mais baixas. Use lâmpadas mais eficientes e que gastem menos energia. Melhore o isolamento da sua casa. E vede todas as rachaduras.

Já que tudo isso poupa energia, economiza não somente recursos, mas também dinheiro para você. E faz sentido.

Preços de energia mais altos, o que deveria ocorrer à medida que a demanda por óleo e gás aumenta e o suprimento permanece estável temporariamente, mas começará a cair em 20 a 40 anos, irá impulsionar o desenvolvimento de mais fontes de energia renovável tais como a energia solar, eólica e geotérmica. Também as pesquisa estão progredindo para estimular o oceano para ser mais produtivo através da semeadura com ferro para agir como um escoadouro de dióxido de carbono, se os níveis demonstrarem estar afetando o clima em geral.

Mas onde está a voz da igreja? Por muito tempo temos estado calados a respeito de temas ambientais. Como cristãos nós deveríamos liderar os cuidados com o ambiente, já que declaramos estar justamente relacionados ao seu Criador em primeiro lugar.


Notas
1. S. Fred Singer, 1997, 1999, "The Scientific Case Against the Global Climate Treaty," [O Caso Científico Contra a Ameaça Climática Global]. Todas as evidências científicas neste artigo podem ser encontradas neste relatório honesto e razoável. Singer é um climatologista aposentado da Universidade de Virgínia e fundou o The Science and Environmental Policy Project [Projeto de Política Científica e Ambiental] (SEPP) para ajudar aeducar o público sobre o aquecimento global. Este website é um ótimo recurso parase obter iformações atualizadas sobre a controversia do aquecimento global. O relatório acima está disponível com e sem figures, mas eu referendo e recomendo a vesão com as imagens copiadas com permissão de jornais científicos examinados para um melhor efeito.
2.Citado por James K. Glassman, em "Administration in the Balance," 8 de março 2001, Wall Street Journal.
3. Paul Driessen, 2000, "Navigating the Treacherous 'Seven Cees' of Climate Care," The Issue Archive of CFACT (Committee for a Constructive Tomorrow) .
4. Citado por James K. Glassman, in "Administration in the Balance," 8 de março de 2001, Wall Street Journal.
5. "What Can You Do?" Time, 9 de abril de 2001, p. 39.


©2001 Probe Ministries.
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Sobre o Autor
Raymond G. Bohlin é o presidente da Probe Ministries. Ele é graduado na Universidade de Illinois (Bacharelado em zoologia), North Texas State University (Mestrado em população genética), e Universidade do Texas em Dallas (M.S., Ph.D em biologia molecular). Ele é o co-autor do livro The Natural Limits to Biological Change [Os Limites da Mudança Biológica], serviu como as editor geral de Creation, Evolution and Modern Science [Criação, Evolução e Ciência Moderna], foi co-autor de Basic Questions on Genetics, Stem Cell Research and Cloning [Perguntas Básicas sobre Genética, Pequisas com Células-tronco e Clonagem] (The BioBasics Series), e tem publicado numerosos artigos em jornal. Dr. Bohlin foi nomeado em 1997-98 e 2000 Parceiro de Pesquisa do Discovery Institute's Center for the Renewal of Science and Culture [Instituto Discovery para a Renovação da Ciência e da Cultura].

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Conversa Com um Muçulmano
Escrito por Don Closson, traduzido por Allan Ribeiro

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Introdução

É sempre mais fácil lidar com sistemas de crenças religiosas no abstrato. Catalogar o que uma religião em particular crê acerca da natureza de Deus, da natureza humana, da salvação e moralidade é geralmente uma tarefa sem percalços. Conversar de verdade com alguém que tenha essas mesmas crenças pode ser bem mais interessante e desafiador. Assim, embora eu possuísse um conhecimento geral sobre o que o islamismo ensina, eu descobri que somente mantendo uma longa discussão com um muçulmano eu entenderia a mentalidade e as atitudes de um seguidor de Alá. Uma porta se abriu para mim para experimentar algo da paixão e do fervor de um evangelista muçulmano. A discussão ocorreu por e-mail, o que abrandou parte das emoções que geralmente acompanham intercâmbios religiosos, mas ela ainda veio carregada de considerável intensidade.

A oportunidade de levar a cabo uma discussão com um apologista muçulmano surgiu quando um ministro universitário [pessoas com ministério específico de levar a Palavra de Deus aos universitários nos Estados Unidos] me perguntou se eu gostaria de ajudar a responder a ataques contra as alegações do cristianismo feitas por um líder islâmico em sua faculdade. Eu concordei e logo percebi que um número de outras pessoas, tanto muçulmano quanto cristãos estaria ouvindo nossa argumentação. Uma vez que fui apresentado ao meu contraparte muçulmano, vamos chamá-lo de Ali, o debate começou rapidamente. Gostaria de poder dizer que ao final da nossa discussão, Ali colocou sua fé em Cristo. Na verdade eu não acho que eu tive qualquer impacto em seu pensamento. Ali, como qualquer um de nós, escolhe o que aceitar como evidência. Ele se recusa até mesmo a tentar ver qualquer dos assuntos que discutimos de uma perspectiva cristã. Tudo o que eu posso fazer é orar para que Deus possa usar nossa discussão em algum ponto da estrada futuramente, se Deus escolher amolecer o coração de Ali.

Por um período de seis meses nossa discussão focou-se primariamente na pessoa de Cristo. Ali perguntava e eu tentava dar uma resposta. Eu rapidamente percebi que as táticas e intenções de Ali eram diferentes das minhas. Ele com freqüência tentava ridicularizar e intimidar em suas respostas e selecionava e determinava o que discutir e o que ignorar, decidindo quando passar para outro tópico com a intenção de evitar realmente considerar o material disponível. Eu nunca me considerei um debatedor. Eu preferiria muito mais ter uma discussão com pessoas que estão interessadas de verdade no assunto e graciosamente trocam pontos-de-vista. Se eu fosse entrar em outro diálogo como o que eu tive com Ali, eu teria que perceber que não posso achar que todos pensam como eu com relação a diálogos entre cosmovisões religiosas. A Bíblia nos diz para estarmos prontos para darmos razões para a esperança que temos em Cristo, e para fazermos isso com gentileza e respeito. Não espere que a outra pessoa vá seguir as mesmas regras.

A seguir iremos considerar o tema da pessoa de Jesus Cristo da perspectiva de um muçulmano e começar a considerar como alguém pode dar uma resposta bíblica.


Matemática Cristológica

Já que eu nunca tinha falado antes a um muçulmano acerca das asserções do cristianismo, eu estava ansioso para descobrir que tipos de questionamentos poderiam ser levantados. Não me surpreendeu que o primeiro ponto que surgiu na conversa tenha sido a natureza de Jesus Cristo, já que este é realmente o coração do assunto. Mulçumanos crêem que Jesus foi um profeta, talvez mesmo um profeta singular, mas não que ele é Deus em qualquer sentido. Ali continuou a conversa dizendo que não havia nenhum lugar na Bíblia que dissesse que Jesus é 100 por cento Deus e 100 por cento homem. Junto com esse desafio inicial, Ali disse que era muito sensível a uma interpretação correta e que estaria procurando por incidentes de versículos distorcidos para fazer uma passagem dizer algo que na verdade não diz.

Mandei para Ali um ensaio de 2.500 palavras que eu tinha escrito antes que continha vários argumentos acerca da divindade de Cristo e numerosos exemplos bíblicos de Jesus fazendo e dizendo coisas que só fazem sentido se Ele for realmente igual com Deus, o Pai. Minha resposta incluiu indicações da auto-percepção de Cristo com Deus, assim como declarações feitas por Seus discípulos retratando suas crenças em Sua divindade. Eu presumi que a humanidade de Cristo não era o verdadeiro ponto. Então eu não vi necessidade de defendê-lo. A resposta de Ali foi interessante. Ele observou que os muçulmanos realmente crêem que Jesus nasceu de uma virgem e fez muitos milagres, coma a ajuda de Deus. Mas então ele disse "A partir da sua resposta eu acho que nós dois acreditamos que a Bíblia não declara que Jesus é 100% Deus e 100% homem". Ele acrescentou mais tarde, "Se você não tem nenhum versículo para nos dar, então vamos passar para o próximo ponto".

Primeiro eu pensei que Ali não tinha entendido meu ensaio completamente. Como ele poderia não ter captado o que eu queria dizer? Ele me reassegurou que tinha entendido tudo e então eu declarou que já que não existe nenhum versículo que assevere os 100 por cento de divindade e os 100 por cento de humanidade de Cristo, nós iríamos em frente. O que eu eventualmente percebi foi que ele estava querendo um único versículo que declarasse com certeza um conjunto matemático de porcentagens para a mistura de divindade e humanidade em Cristo. Eu fiquei um tanto surpreso, para dizer o mínimo. Quando pedi uma confirmação, ele disse que era isso realmente o que ele estava buscando.

Muitas pessoas sabem que os números dos versículos na Bíblia foram adicionados em uma data posterior por conveniência. Depois de lembrar a Ali passagens como Filipenses 2.6-7 e o primeiro capítulo de João, eu perguntei a ele porque era necessário encontrar esta verdade tão complexa em um único versículo. Ele ignorou minha pergunta e respondeu alegando vitória que a Bíblia na verdade não diz em um versículo que Jesus é 100 por cento Deus e 100 por cento homem, depois decidiu que iríamos passar para o próximo ponto.

Eu devo admitir que fiquei um pouco perplexo, mas não pronto para admitir minha derrota.

A importância do Contexto

A tática de debate de Ali deve ser chamada de técnica "cortar e incinerar": nunca admitir que usou um argumento fraco e fazer bom uso de sarcasmo para intimidar o oponente. Ele também gosta de declarar vitória no meio de uma troca de idéias e de anunciar que vamos para o próximo assunto. No entanto, antes que eu fosse para a sua próxima pergunta, eu tentei mais uma vez responder à sua questão primeiro. Tudo o que consegui foi que ele me acusasse que eu estava fugindo do seu segundo tema. Ele escreveu,

"Você percebe, Don, o que você fez em seu último e-mail foi evitar completamente este versículo, e aí você foi procurar na Bíblia por outros versículos nos quais você acha que Jesus declarou ser Deus e os passou para nós achando que isso iria de algum modo nos fazer 'esquecer' João 5.30"

O que é que tem João 5.30? Jesus diz "Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.". Ali afirma que esse versículo mostra que Jesus é inferior e impotente, que Ele na verdade não pode fazer nada. A chave para esta passagem, como sempre, está no contexto. Eu mostrei a Ali que em João 5.19-23, Jesus diz que "o Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.". Jesus ressuscita os mortos recebeu todo o julgamento e está prestes a receber a mesma honra que ao Pai é dada. Ali replicou, "Grande, é isso que um mensageiro faz, isso não faz dele Deus."

Eu mostrei a ele que um mensageiro comunica algo em nome de outra pessoa. Ele não alega fazer o que a outra pessoa faz. Maomé alegou ser um mensageiro de Alá, não fazer o que Alá faz. Na verdade Jesus não disse que iria mostrar o caminho como um mensageiro faria, mas Ele disse que Ele era o caminho, a verdade e a vida (João 14.6). De fato, o mesmo capítulo diz que os judeus reconheceram que Jesus alegava igualdade com Deus, o Pai e tentaram de todo jeito matá-lo (João 5.18). Ali pode discordar desta alegação, que Jesus é Deus, mas é exatamente este o argumento que está neste capítulo e no resto do livro de João.

Ali tira versículos de seu contexto e recusa-se a lidar com a passagem inteira. Quando recebe evidência do capítulo que contradizem sua visão, ele muda o sentido das palavras e ridiculariza o que acha ser irracional. A seguir veremos a rejeição de Ali à Trindade.

A Trindade

Não é surpreendente que Ali não entenda e nem reconheça a relação Trinitária entre Jesus e o Pai. A Sura 4, versículo 171 no Corão chama as pessoas do livro, cristãos, a não cometer excessos em sua religião. Alega-se ali que Jesus foi somente um mensageiro de Alá e Sua Palavra, a qual foi dada a Maria. Ela literalmente diz aos cristãos para "dizer não à Trindade" pois Alá é único. É possível que Maomé cresse que a Trindade consistia de Jesus, o Pai e Maria. Ele rejeitou Jesus como o Filho de Deus porque ele imaginou Jesus como o fruto de uma união entre Deus o Pai e Maria. Isso seria cometer o pecado máximo aos olhos do Islã, igualar uma coisa física com Deus o Criador (idolatria). Ali escreveu "Dizer que Jesus é Deus ou Filho de Deus é, não somente zombar de natureza divina, mas blasfêmia das mais baixas e um insulto à inteligência dos homens.".

Como resultado, Ali alterna entre negar que a Bíblia ensina que Jesus é Deus e ridicularizar como ilógica a noção de que Jesus possa ser ambos, Deus e homem. Ele recusa-se a reconhecer a noção de Trindade, mesmo quando é a melhor maneira de explicar passagens difíceis. Quando recebem evidências o suficiente de que a Bíblia ensina que Jesus é Deus e homem, reconhecidamente um conceito difícil, mulçumanos rejeitam a Bíblia como tendo sido corrompida. Eles realmente não têm outra alternativa, já que o Corão rejeita especificamente a Trindade. Trata-se literalmente de rejeitar o seu profeta Maomé ou aceitar a validade e a mensagem da Bíblia.

Uma nota paralela a esta discussão é que a posição de Ali é muito similar À crenças de outros grupos religiosos que respeitam Jesus, mas rejeitam o cristianismo. As Testemunhas de Jeová afirmam que a Bíblia foi corrompida depois da passagem dos apóstolos e que eles agora têm a interpretação correta, assim como os Mórmons e os Bahai, um ramo do islamismo. Os Mórmons dizem que seu profeta, Joseph Smith recebeu sua visão de Jesus, encontrada no Livro de Mórmon, do anjo Moroni. Maomé alegou ter recebido o Corão do anjo Gabriel. É óbvio que estas revelações não podem ser todas verdadeiras, já que cada uma delas nos dá um Jesus diferente. Paulo tem algo a dizer sobre estes evangelhos diferentes. Ele escreve à igreja na Galácia:

"Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema." (Gálatas 1.6-8).

Uma Decisão Difícil

Como eu mencionei antes, o resultado do intercâmbio de seis meses não foi nem uma conversão e nem mesmo um final adequado do tipo concordamos-em-discordar. Na verdade, eu encerrei o diálogo depois de perceber que continuar a troca renderia pouco e que o meu tempo poderia ser mais bem gasto em outra coisa. Eu devo acrescentar que esta não foi uma decisão fácil de tomar. Eu imaginei se não tinha desistido fácil demais ou se tinha de algum modo não comunicado adequadamente a esperança que tenho em Cristo.

No entanto, qualquer hesitação ao fim da conversa foi suprimida quando eu recebi uma resposta à minha nota encerrando o debate. Ali me disse que eu não poderia desistir. Que na verdade ele iria anunciar em vários sites que tanto eu quanto Probe Ministries não tínhamos nada a dizer a respeito da confiabilidade da Bíblia se eu não respondesse aos seus desafios. Isto confirmou para mim que Ali estava simplesmente me usando para ganhar acesso a um público maior e conseguir passar sua mensagem. Ele não tinha nenhum interesse em uma discussão de verdade onde idéias são consideradas e existe um mínimo de cortesia.

Eu voltei para as Escrituras para ver como Jesus lidou com pessoas assim e o que Ele ensinou Seus seguidores a fazer quando eles encontrassem ouvidos que não quisessem ouvir. Nos Evangelhos sinóticos, Jesus disse aos seus apóstolos que "E se qualquer lugar não vos receber, nem os homens vos ouvirem, saindo dali, sacudi o pó que estiver debaixo dos vossos pés, em testemunho contra eles." (Marcos 6.11). O sentido é que aqueles que rejeitam o evangelho devem agora responder por si mesmos. Quando o evangelho é ensinado, traz tanto julgamento quanto salvação.

Em Mateus 7.6 Jesus diz aos apóstolos "Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem.". Cachorros e porcos não significam qualquer grupo étnico específico. Jesus está ensinando que aqueles que têm tratado o evangelho com escárnio e claramente rejeitaram a salvação que ele oferece e têm se endurecido por sua desobediência, devem ser evitados.

Quando Paulo e Timóteo se opuseram aos judeus, que se tornaram abusivos, o livro de Atos (18.6) lembra "(...) sacudiu ele as vestes e disse-lhes: O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo, e desde agora vou para os gentios.".

Eu tiro pouco prazer da leitura destas passagens. Eu queria mudar a mente de Ali. Contudo, quando eu disse a ele que eu estava orando por ele, ele replicou "Não pregue para mim, me prove." Dado que ele já tinha ignorado muita evidência, isso me mostrou que seus ouvidos estavam cerrados. No entanto e continuarei a orar para que Deus amoleça o coração de Ali e que um dia ele possa ter ouvidos para ouvir o Evangelho.


©2001 Probe Ministries.

Sobre o Autor

Don Closson recebeu o diploma de bacharel em educação da Southern Illinois University, o mestrado em administração educacional pela Illinois State University, e em Estudos Bíblicos pelo Dallas Theological Seminary. Ele serviu como professor de escola pública e administrador antes de unir-se a Probe Ministries como pesquisador associado no campo da educação. Ele é o editor-geral de Kids, Classrooms, and Contemporary Education. [aCrianças, Salas de Aula e Educação Contemporânea].

O Que é Probe?
Probe Ministries é um ministério sem fins lucrativos cuja missão é auxiliar a igreja na renovação da mente dos crentes com uma cosmovisão cristã e equipar a igreja para levar o mundo a Cristo. Probe cumpre essa missão através de nossas conferências Mind Games para jovens e adultos, do nosso programa de rádio diário de 3 1/2 minutos, e de nosso amplo web site.

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O conceito de reação razoável e a lógica do terrorismo
ALAN DERSHOWITZ

Nenhuma democracia no mundo toleraria que mísseis fossem atirados contra seu território sem tomar uma medida "razoável" para conter os ataques. A questão levantada pela ação israelense no Líbano são os limites desse "razoável". A resposta, de acordo com as leis da guerra, define como "razoável" atacar alvos militares, fazendo todos os esforços possíveis para reduzir o número de vítimas civis. Se não houver como alcançar os objetivos predeterminados sem evitar essas baixas, o número de vítimas deve ser proporcional à quantidade de pessoas que teriam sido atingidas caso não houvesse uma ação militar preventiva.

Em Israel, a força aérea, as instalações nucleares e as bases militares estão localizadas em lugares remotos, longe de tudo e de todos. Seus inimigos conseguiriam atacar alvos militares israelenses sem causar "danos colaterais", ou seja, sem atingir a população civil. Já o Hezbollah e o Hamas colocam intencionalmente suas forças militares para operar muito próximas a áreas densamente povoadas. Lançam mísseis para fazer o máximo possível de vítimas civis entre os israelenses e, em seguida, escondem-se das retaliações em meio à população civil. Se Israel decide não perseguir os terroristas para não ferir inocentes, os primeiros saem ganhando. Continuam livres para atacar os israelenses com foguetes. Se Israel ataca, causando vítimas civis, os terroristas saem vitoriosos no campo da propaganda: a comunidade internacional condena Israel por sua resposta "desproporcional". Esse coro encoraja os terroristas a continuar a operar em áreas habitadas por civis.

Enquanto Israel faz tudo o que é razoável para minimizar as mortes entre os civis – nem sempre com sucesso –, o Hezbollah e o Hamas querem produzir o máximo de baixas dos dois lados. Os terroristas islâmicos, como disse um diplomata há alguns anos, "são mestres na complicada aritmética da dor... tanto as vítimas palestinas quanto as israelenses servem à sua causa". O uso de civis como escudos e espadas requer uma reavaliação das leis da guerra. Diferenciar combatentes de civis é fácil quando os primeiros são parte de um exército uniformizado, que luta num campo de batalha. No atual contexto, é mais complicado. Se existisse uma linha contínua na qual pudéssemos classificar os civis, em um dos extremos estariam os puros e inocentes – bebês, reféns e outros que não têm nenhum tipo de envolvimento com aqueles que instigam o conflito. No outro extremo, os civis que abrigam terroristas, que os ajudam a conseguir recursos e servem de escudo humano. No centro estariam aqueles que dão apoio político ou espiritual ao terror.

As regras que regem a guerra e as considerações morais devem adaptar-se a essas realidades. Uma analogia com as leis criminais americanas é elucidativa. Se um ladrão de banco utiliza um refém para se proteger enquanto atira nos policiais, esse ladrão é culpado de assassinato caso, numa tentativa de fazê-lo parar, os policiais matem o refém acidentalmente. O mesmo deveria valer para os terroristas que utilizam civis como escudos humanos para atirar seus foguetes. Eles precisam arcar com a responsabilidade legal e moral pelas vítimas civis, mesmo se a causa direta das mortes tiver sido um foguete israelense. É preciso deixar Israel acabar a guerra que o Hamas e o Hezbollah começaram, mesmo que isso signifique a morte de civis na Faixa de Gaza e no Líbano. Uma democracia tem o direito de preferir a vida de seus próprios inocentes civis à de um agressor. Especialmente se os últimos são cúmplices de terrorismo.

O jurista americano Alan Dershowitz é professor em Harvard

Veja, edição 1967, 2 de agosto de 2006

2 comentários:

Marco disse...

"...os Bahai, um ramo do islamismo."

A religião baha'i é uma religião independente, com os seus próprios livros sagrados, leis e administração. Não é um ramo do Islão.

A relação que existe entre a Fé Baha'i e os Islão é igual à que existe entre o Judaismo e o Cristianismo.

Allan Ribeiro disse...

Obrigado pela informação, Marco. Creio que o autor quis dizer que tanto o islã quanto a Fé Baha'i têm uma origem comum, como é o caso do judaismo e do cristianismo.